Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 17/10/2023

A constituição Federal, concebida em 1988, durante o processo de redemocratização, promete assegurar o direito de todos os brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil se configura como uma falha no princípio da isonomia, pois a ausência dessa inclusão acaba por gerar uma situação de desigualdade para a população que possui deficiências visuais. Logo, percebe-se que a falta de integração educacional de pessoas cegas possui raízes amargas motivadas não só pelo preconceito mas como também pela falta de matériais e recursos para auxílio na educação de deficientes visuais.

Em princípio, destaca-se o preconceito em relação a população cega como uma das causas do problema. Segundo relatado no Censo de 2010, 18,6% da população brasileira possui algum tipo de deficiência visual e dentro desse grupo, a taxa de pessoas empregadas no mercado de trabalho é quase nula, tudo isso devido ao preconceito, falta de confiança na capacidade dos cegos e na escassez de condições para inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. Logo, torna-se evidente que há um tratamento diferenciado em relação a população que possui problemas visuais.

Ademais, verifica-se que um dos motivos que agrava a incorporação educacional das pessoas cegas é a ausência de materiais e recursos focados em auxiliar a educação de deficientes visuais. De acordo com Zenaide Picanço, diretora do Centro de Atendimento ao Deficiente Visual, das 188 mil escolas brasileiras apenas cerca de 41 mil estão aptas a fornecer os recursos necessários para um aprendizado de qualidade para os alunos que possuem alguma deficiência visual.

Infere-se, portanto, a necessidade de combater os problemas enfrentados para a inclusão de pessoas cegas no país. Para isso urge que o Ministério da Educação e Cultura(MEC), promova uma campanha para ampliar e oferecer uma educação de qualidade a população cega, através da capacitação de professores e do fornecimento de materiais e recursos que facilitem o aprendizado de pessoas com deficiência visual e assim por consequência, diminuindo as barreiras educacionais para as pessoas cegas.