Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 18/10/2023
A Constituição Federal de 1988 (CF88) prevê que todos os brasileiros, independentemente de quaisquer fatores individualizantes, têm direito à educação. Nesse sentido, torna-se importante a discussão sobre os desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil. Tal problemática relaciona-se a uma maneira de promover a liberdade intelectual dos cegos, além de ser necessária para desconstruir percepções sociais sobre a deficiência em questão.
De início, é necessário pontuar que os cidadãos enxergam pessoas com deficiência como incapazes de realizar atividades cotidianas de forma autônoma.Isso ocorre, pois, de acordo com John Locke, o ser humano é moldado por suas experiências. Logo, ao não haver contato com pessoas cegas em ambientes cotidianos, como instituições de ensino, os cidadãos mantêm uma percepção limitada a respeito de deficientes visuais. Logo, a dificuldade na inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil tanto é motivada quanto motiva a falta de contato dos deficientes com áreas destinadas à população geral, já que a falta de contato de ambos promove a manutenção de estereótipos e consequentemente dificulta processos de inclusão.
Além disso, é notório que alguns indivíduos são suprimidos intelectualmente pela sociedade por não possuírem uma característica esperada por ela, como a visão, por exemplo. Essa situação foi discutida por Foucault ao pontuar que alguns organismos são percebidos como disciplinados à submissão, sendo passíveis de controle por outrém e reconhecidos como corpos dóceis. Sob essa ótica, é perceptível que possuir a visão em pleno funcionamento torna-se uma característica de distinção social em que quem o possui sobjulga os cegos. Desse modo, a inclusão educacional de pessoas cegas torna-se essencial para que essas obtenham mais espaço na social e saiam da posição de “corpo dócil”
Portanto, faz-se necessária ação do Ministério da Educação em promover uma campanha que informe sobre como é a rotina dos cegos. Tal ação deve ser promovida por meio das redes sociais governamentais, que possuem amplo alcance. Assim, com mais informações, haverá maior contato, quebrando estereótipos e facilitando a inclusão educacional dos cegos no país.