Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 18/10/2023
O quadro expressionista “O Grito”, do artísta Edvard Munch, expõe um indivíduo como foco com o semblante de medo e agonia. Essa atmosfera de sofrimento e desamparo também é vivenciada por cidadãos que são privados da visão, pois são segregados da sociedade devido à ausência de políticas de integração. Nesse sentido, os desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil ocorrem pela negligência governamental e pelo preconceito propagado nas escolas.
Em princípio, a ausência do Governo Brasileiro impede a inclusão educacional. Sob esse viés, a obra literária “Cidadania no Brasil”, do historiador José Murilo de Carvalho, relata a responsabilidade do Estado em garantir a cidadania ao corpo social, por meio da garantia dos direitos civis, políticos e sociais. Dito isso, a administração governamental brasileira não cumpre seu dever primordial, posto que impede o acesso à educação de qualidade. Isso ocorre com a ausência de políticas de inclusão para indivíduos cegos, a exemplo a falta de profissionais qualificados e de materiais próprios para os estudantes que possuem essa deficiência.
Além disso, a discriminação propagada nos meios sociais impede a inclusão integral. Seguindo esse viés, na história da civilização ateniense, os indivíduos que possuiam alguma deficiência eram assassinados para que houvesse uma manutenção de “bons” descendentes. Essa ideologia de eugenia, apesar de proibida, ainda vigora na sociedade e torna-se a origem das discriminações contra os cidadãos desprovidos de visão. Nesse aspecto, o ingresso na educação fundamental e básica torna-se um impasse, pois o preconceito disseminado dificulta o aprendizado dos estudantes, com agressões verbais e psicológicas, que necessitam de materiais diferenciados. Com isso, a isonomia torna-se distante.
Faz-se necessário, portanto, que medidas sejam instauradas para mitigar a atmosfera de desamparo instaurada. De início, o Senado, representante do Estado Executivo no Brasil, deve promover a inclusão educacional de pessoas cegas, por meio da adesão de profissionais qualificados e materiais especializados em todas as escolas públicas e privadas, a fim de garantir a igualdade e o fim do preconceito.