Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 29/10/2023
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, valorizar também a inclusão de pessoas cegas no Brasil - já que grande parcela social não enxerga tal entrave com a devida relevância. Assim, vale ressaltar que a desigualdade social e a negligência governamental são fatores que devem ser combatidos.
Diante desse cenário, é lícito postular a negligência governamental no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se ao pensamento do contratualista John Locke, o qual, em seu contrato social, afirmou que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos. Ao observar a falta de estrutura, acessibilidade e inserção dos deficientes visuais, nota-se um rompimento no pacto estabelecido pelo filósofo. Dessa forma, é ilógico um país que deseja alcançar um patamar de elevado desenvolvimento, manter tamanha negligência com as pessoas cegas do país.
Ademais, a irrefutável influência da desigualdade social é um fator que dificulta a sua resolução. Sabe-se que o Art. 5° da Constituição Federal diz que todos são iguais perante a lei, embora seja um direito constitucional não é cumprido. Certamente, a disparidade social persiste devido a herança cultural, a qual limita melhorar a integração das pessoas deficientes visuais no Brasil. Desse modo, enquanto esses empecilhos não forem solucionados, desafios contemporâneos, como desrespeito e inferioridade continuarão a afligir a nação.
Fica explícito, então, que maneiras de amenizar os desafios de inserir as pessoas cegas na nação brasileira precisam ser debatidos. À luz disso, o Estado - responsável por garantir o bem-estar social - deve promover políticas públicas que garantam a conscientização da população de que deficientes visuais são cidadãos e seus direitos devem ser respeitados, por meio de palestras e a mídia socialmente engajada em proporcionar conhecimento. Isso deve ser feito com o objetivo de degradar os empecilhos da inclusão de pessoas cegas no Brasil.