Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 22/10/2023
A “atitude blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life” - ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que deveria dar atenção. Nesse contexto, a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil vem sendo banalizado. Isso ocorre devido ao silenciamento e à insuficiência legislativa.
Sob esse viés, o silêncio da população decorrente da desinformação é fator vital para trivialização do impasse. Destarte, o filósofo Jurgen Habermas acredita que a democracia só pode ser alcançada por meio da comunicação. De maneira análoga, o debate é o principal método para resolver uma problemática, no entanto, a falta de informação da população sobre seus direitos à educação, faz com que o corpo social banalize o entrave e não fale sobre ele. Dessarte, sem a fala populacional a minoria afetada pela banalização do acesso à educação, acabam caindo na invisibilidade, dificultando, assim, a solução do impasse, como fia-se o pensador.
Outrossim, a ineficiência das leis colabora com a mediocrização do impasse. Desse modo, a teoria do filósofo Zygmunt Bauman sobre instituições zumbis - entidades presentes na sociedade as quais não cumprem o seu dever social com efetividade - é similar ao cenário brasileiro atual. Dessa maneira, consoante a Carta Magna o Estado é o principal responsável por garantir o bem-estar, entretanto, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Brasília cerca de 70% das pessoas cegas são analfabetas, dessa forma, os deficientes visuais ficam cada vez mais distante do bem-estar e da igualdade. Nessa perspectiva, esse fato mostra uma falha na Constituição que decorre de uma “atitude blasé” do governo, o que o torna uma “instituição zumbi” e dificulta a erradicação do entrave.
Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, o Governo Federal, órgão responsável administrativamente pelo país, junto ao Ministério da Educação, deve criar projetos, por meio de verbas públicas, que tenham como principal objetivo a inclusão de pessoas cegas na educação. Como exemplo, escolas adequadas para pessoas com deficiência visual, ademais, entre em parceria com mídias em massa para conscientizar a população sobre seus direitos. Diante do exposto, o Brasil alcançará a isonomia.