Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 22/10/2023

A história humana está marcada negativamente por inúmeros casos de intolerân-

cia às diferenças. As perseguições de cunho religioso, as políticas supremacistas em estados nacionais de “apartheid”, bem como a indiferença e até mesmo a aberta eliminação de deficientes, entre estes os visuais, em regimes totalitários. A atual barreira de inclusão destes usuários visuais especiais encontra grandes percalços dentro da cultura brasileira, sendo reflexo direto de: um preconceito capacitista histórico e uma redução de investimentos na educação.

Conforme pesquisa do Ministério da Educação, o MEC, de 2010 sobre a “educação inclusiva”, se reforçou o conceito de que o processo de sociabilização e educacional é essencial para a autorrealização, seja profissional ou cidadã. Tal princípio é refor-

çado pela pesquisa da acadêmica Silvana França, que em sua análise quanto a estrutura escolar e social brasileira, nos permite identificar uma lógica capitalista de produtividade ainda na escola, onde os deficientes são vistos e tratados como incapazes por não conseguirem oferecer uma mão - de - obra barata e de baixo custo, por conseguinte, são excluíos e tratados como dispensáveis.

Ademais, os investidores públicos na educação sofrem cortes há mais de uma dé-

cada. Segundo o MEC, os anos de 2014 a 2018 tiveram redução de 6% e durante os anos do governo Bolsonaro houveram cortes na ordem de 12 bilhões em 2020 até 2022. Este cenário de austeridade propícia o aumento da evasão escolar, da desigualdade e do desamparo aos necessitados visuais que não recebem suporte ou acessibilidade em seu processo de aprendizado, um direito conquistado no Art.6° da Constituição Federal que é violado e desrespeitado pela austeridade.

Portanto, permitir uma inclusão educacional necessariamente envolve combater o capacitismo e a austeridade. Por isso, os Ministérios da Educação, Infraestrutura e Cultura - na figura de seus Ministros - devem denunciar a lógica consumista de ensino, buscando fortalecer uma estrutura harmoniosa e acessível. Tais feitos podem ser alcançados por meio da derrubada do arcabouço fiscal que ataca inves-

tomentosa públicos e com uso de propaganda para disseminar ideias, com a finali-

dade de capacitar profissionais, oferecer acessibilidade alternativa aos cegos e combater o segregacionismo na sociedade brasileira.