Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 30/10/2023

No início da década de 1960, o presidente da República, Jânio Quadros, criou o Dia Nacional do Cego, o dia - comemorado em 13 de dezembro - tem o intuito de conscientizar a população sobre a cegueira e seus desafios. No entanto, após mais de 60 anos de luta com apoio governamental, pessoas cegas ainda são subestimadas, inclusive, no meio educacional. Indubitavelmente, estes cidadãos precisam de políticas públicas sérias para enfrentar as barreiras impostas à luta por uma educação inclusiva.

Primordialmente é preciso destacar que pessoas com deficiência visual têm outros sentidos, dos quais podem destacar-se a audição e o tato, estes, essenciais num ensino acessível aos cegos. Apesar de os métodos serem conhecidos e a Constituição de 1988 supostamente garantir a educação a todos, as escolas comuns brasileiras ainda são negligentes com quem não enxerga: faltam materiais alternativos convertidos do gráfico ao tátil, máquinas de escrever em Braille (escrita baseada em pontos em relevo), mais recursos de descrição audiovisual e pisos táteis no ambiente escolar.

Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou, por meio do censo demográfico de 2010, que mais de meio milhão de brasileiros são acometidos por perda total de visão. Em contraste a estes dados e à rápida evolução da acessibilidade em software, influenciadores digitais cegos ainda têm pouca notoriedade - apesar da popularidade que felizmente vem crescendo nas redes sociais. Contudo, essa falta de representatividade é inadmissível e se reflete diretamente na autoestima de estudantes com cegueira.

Sem dúvidas, o Dia do Cego foi um avanço, porém, não o suficiente. Portanto, os Ministérios da Educação e da Saúde devem divulgar o tema por meio de campanhas sobre a deficiência visual em conjunto com pessoas cegas influentes nas redes sociais a fim de promover o debate, rompendo preconceitos e abrindo portas à novas soluções inclusivas para uma educação mais acessível.