Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 10/10/2024
Segundo a filósofa Hannah Arendt, “A sociedade está insensibilizada pelo mal e, assim, não se espanta com ele”. Em consonância ao pensamento de Hannah, a realidade do país atual não é diferente, visto que o corpo social não está dando importância para os desafios na inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil, sendo esse um desafio a ser sanado. Indubitavelmente, verica-se a necessidade de desconstruir a omissão estatal e a lacuna educacional.
Cabe pontuar, em primeiro plano, que a inércia governamental é uma das causas dessa problemática. Nesse sentido, o filósofo Thomas Hobbes argumenta que o bem-estar social é dever do Estado. No entanto, o governo mostra-se incapaz de promover políticas públicas necessárias para a redução do percentual de falhas no sistema educacional. Dessa forma, os casos de vítimas sem acesso a direitos básicos por conta da falta de propostas inclusivas nas escolas estão aumentando exorbitantemente, pois não há iniciativa governamental para solucionar esse problema. Todavia, é paradoxal que, em uma nação que prevê a sadia qualidade de vida, não se promova gestão dos estudantes brasileiros.
Outrossim, é válido salientar o preconceito como impulsionador dessa problemática. A esse respeito, a filósofa Simone de Beauvouir ressalta que “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” Em paralelo a isso, observa-se uma sociedade totalmente alienada em relação ao número de discriminações que as pessoas cegas enfrentam nas instituições de ensino, gerando consequências danosas ao rumo da comunidade, a exemplo da falta de vagas no mercado de trabalho para deficientes visuais, o que agrava as desigualdades sociais. Logo, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, sendo necessário que sejam realizados discussões acadêmicas sobre o tema.
Portanto, compete ao Estado, órgão responsável pela administração nacional, em conjunto com o Ministério da Educação, o dever de promover ações de conscientização aos indivíduos sobre a importância do tratamento igualitário e buscar formas de resolver as lacunas internas de acessibilidade, por meio de projetos sociais e debates realizados por profissionais na área pedagógica. Tais ações devem ser feitas com o intuito de alcançar o bem de todos.