Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 28/05/2024
Para José Álvares de Azevedo, o primeiro professor de cegos do Brasil, alcançar a equidade no ensino de pessoas com deficiência visual era primordial. Nesse sentido, nota-se que a educação brasileira enfrenta desafios para a inclusão de pessoas cegas, visto que uma infraestrutura inadequada em conjunto da carência na capacitação de professores especializados impede que o aluno deficiente visual tenha acesso ao pleno ensino acadêmico a que tem direito.
Sabe-se que, a ausência de recursos didáticos, consequência de uma infraestrutura insatisfatória, prejudica a trajetória escolar de alunos cegos. Segundo o MEC, das 188 mil escolas brasileiras, pouco mais de 41 mil possuem materiais adaptados para deficientes visuais. Logo, embora a oferta de material didático exista, tal iniciativa tem sido aplicada precariamente, visto que não abrange nem mesmo a metade do número de escolas do país. Tal carência lesa a trajetória acadêmica dos alunos que, sem acesso a esses recursos, tem seu direito à educação de qualidade tolhido.
Ademais, o número escasso de professores qualificados para ensinar alunos com deficiência visual permanece como agravante da questão. De acordo com o CNE, apenas 6% dos professores possuem formação especializada para ensino de estudantes visualmente prejudicados. Com isso, devido à ausência desses profissionais, o discente cego se encontra desassistido e desfavorecido em detrimento de seus colegas, que não necessitam de auxílio, o que exacerba ainda mais o cenário de disparidade educacional.
Desse modo, é necessária uma abordagem multifacetária e simultânea da problemática. Faz-se preciso que o FNDE destine recursos financeiros para a obtenção de material didático adaptado especificamente para as necessidades de alunos cegos, fiscalizando seu uso, de modo a garantir que sejam bem empregados. Além disso, é necessário que o MEC torne obrigatório no currículo universitário de professores em formação, a inclusão de disciplinas sobre educação inclusiva, com foco em técnicas e métodos para o ensino de deficientes visuais. Assim, a equidade educacional tão almejada por José Alvarez de Azevedo poderá ser finalmente ser alcançada no Brasil.