Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 29/05/2024

No filme “Hoje eu quero voltar sozinho”, disponível na Netflix, é apresentada a vida do protagonista Leonardo, um estudante cego que sofre diariamente por sua condição. Entretanto, o longa metragem não se distancia da realidade nacional, uma vez que a inclusão educacional de pessoas cegas ainda é um desafio. Como agravantes da chaga, cabe citar a negligência governamental e a apatia social.

Sob esse viés, é importante caracterizar a negligência do governo como propulsor do problema. Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se mencionar o contratualista Thomas Hobbes, o qual afirma que é dever do Estado garantir o bem estar dos cidadãos. Todavia, o contrato proposto por Hobbes é quebrado em território nacional, já que o governo não fornece materiais adequados e acessíveis para a educação dos deficientes visuais. Logo, entende-se que esta é uma situação inaceitável e não pode ser negligenciada, tendo em vista que a falta de materiais adequados limita o currículo escolar afetando diretamente no futuro dessas pessoas, fazendo com que não tenham as mesmas oportunidades de vida dos estudantes que tiveram acesso a livros em braille e professores especializados.

Somado a isso, é necessário frisar que a apatia social agrava ainda mais o imbróglio. Seguindo este pensamento, há a possibilidade de fazer alusão ao pensamento do históriador Yuval Harari, o qual afirma que grande parte dos indivíduos não é capaz de perceber os reais problemas do mundo, favorecendo uma postura apatica. De maneira análoga à reflexão de Harari, situação semelhante encontra-se em território brasileiro, haja vista que a população não encara as dificuldades na educação de cegos como um potencializador das dificuldades na maturidade destes. Dessa forma, percebe-se a urgência na resolução desse impasse, pois a precáriedade na preparação intelectual dos deficientes visuais pode acarretar a um aumento na taxa de desemprego no Brasil.

Dessa maneira, o Governo Federal, orgão máximo de administração do país, deve implementar um programa de especialização nas principais faculdades de pedagogia. Isso será feito a partir do convite de profissionais da área com o intuito de promover a melhora na educação dos cegos. Assim, o drama vivido em “Hoje eu quero voltar sozinho” não será mais presente no Brasil.