Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 11/06/2024

No filme “Hoje eu quero voltar sozinho”, o protagonista, um estudante cego do ensino médio, luta por sua independência em um ambiente educacional pouco in-clusivo. Assim, em diversos momentos da trama, Léo demonstra sua angústia ao enfrentar os inúmeros desafios do seu cotidiano, assemelhando-se a realidade de muitos deficientes visuais no Brasil. Nesse sentido, cabe analisar dois grandes pro-pulsores desse problema: a falta de acessibilidade e a carência de instituições de ensino especializadas.

Em primeira análise, é fato que muitas escolas não foram construídas visando atender a todas as demandas, a ausência de meios que facilitem o acesso de pes- soas cegas torna ainda mais exclundente o ambiente colegial. Sob essa ótica, o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, define como instituições zumbis aquelas entidades que mantém suas estruturas vigentes, contudo não cumprem adequadamente seus papéis sociais. Logo, fica evidente o desamparo governamental à comunidade cega, que com as ferramentas corretas tem potencial para adquirir conhecimentos como qualquer outra pessoa.

Além disso, a escassez de ambientes educacionais especializados no ensino a essa parcela da população está estreitamente ligada à dificuldade de muitos em terminar o ensino básico, visto que cada cidade dispõe de pouquíssimas unidades dessas entidades. Desse modo, Sir Arthur Lewis, economista britânico, defende que a educação nunca será despesa, sempre será investimento com retorno garantido. Em síntese, a educação inclusiva de qualidade para deficientes visuais terá como consequência um maior número de cidadãos funcionais que futuramente que não precisarão depender de auxílio financeiro do Estado para se manter.

Portanto, é necessária a aplicação de medidas para solucionar tal problemática.

Por isso, o Ministério da Educação deve criar um programa de ensino especial, por meio da abertura de mais escolas especializadas no Braille, sistema de escrita e leitura de pessoas cegas, levando a todas as cidades profissionais qualificados para consolidar de fato o ensino desses estudantes. Com tais medidas, será possível amenizar os impactos dessa preocupante exclusão no contexto social.