Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 14/06/2024

Durante o governo de Dom Pedro II no Brasil, José Álvares de Azevedo foi o primeiro professor cego do país e, com seu trabalho, visava vencer os obstáculos para a equidade educacional de pessoas com deficiência visual da época.Atualmente, a educação brasileira ainda enfrenta desafios para a inclusão de pessoas cegas, visto que uma infraestrutura inadequada, em conjunto da carência na capacitação de professores especializados, impede que o aluno deficiente visual tenha acesso ao pleno ensino acadêmico.

Sabe-se que a ausência de recursos didáticos, consequência de uma infraestrutura insatisfatória, prejudica a trajetória escolar de alunos cegos. Segundo um levantamento feito pela Organização Nacional de Cegos do Brasil, a persistente escassez de material educacional adaptado nas escolas ocorre devido à demora crônica na entrega desses suportes educativos. Assim, embora a oferta de material didático exista, tal iniciativa é aplicada precariamente, uma vez que a morosidade do processo coloca em xeque a efetividade das políticas públicas destinadas à assegurar uma educação verdadeiramente inclusiva.

Ademais, a dificuldade no acesso à formação continuada provoca a escassez de professores qualificados para ensinar alunos com deficiência visual. De acordo com o Conselho Nacional de Educação, a baixa oferta de cursos capacitantes em educação inclusiva e sua concentração nas grandes cidades faz com que, apenas 6% dos professores possuam formação especializada para ensino de estudantes visualmente prejudicados. Com isso, devido à ausência desses profissionais, o discente cego se encontra desfavorecido em detrimento de seus colegas.

Logo, é preciso que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação reavalie a logística e manejo dos materiais didáticos para alunos com necessidades especiais, e crie junto dos correios um plano para acelerar e priorizar a entrega desses recursos.Além disso, para mitigar a problemática e evitar a centralização bem como a inviabilidade do acesso aos cursos de capacitação, o MEC deve promover a formação continuada por meio de ensino à distância, ofertado gratuitamente para os professores, com carga horária equivalente ao mesmo curso em sua modalidade presencial.