Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 12/08/2024
No célebre texto “Cidadanias Mutiladas”, o geógrafo Milton Santos afirma que a democracia só é efetiva à medida que atinge a totalidade do corpo social, isto é, quando os direitos são desfrutados por todos os cidadãos. Todavia, no contexto atual, a falta de inclusão educacional de pessoas cegas distancia os brasileiros das garantias constitucionais. Nesse cenário, o tema tem como desafios a indiferença estatal e o preparo insuficiente dos professores.
Ressalta-se, a princípio, a ausência da atuação Estatal como fator que corrobora a problemática. Sob esse viés, é lícito referenciar a expressão “Instituição Zumbi”, utilizada por Bauman para simbolizar entidades que não cumprem o papel previamente estabelecido. Segundo o raciocínio, é possível compreender o Poder Executivo como exemplo do termo, uma vez que a premissa constitucional do acesso igualitário à educação não é atendida quando se trata de pessoas cegas, pois muitas escolas não possuem livros em braile, nem meios que facilitem a locomoção de deficientes visuais pelo ambiente, como pisos em alto relevo e placas anagliptográficas para a identificação dos espaços frequentados. Tendo em vista a dificuldade governamental em fazer a lei ser efetivada, sua conduta precisa mudar.
Outrossim, é válido destacar a formação deficitária de professores no que tange à inclusão educacional de pessoas cegas. Nesse sentido, ainda que a instrução formal seja garantida a todos pela Carta Magna, existem problemas relativos aos indivíduos com deficiência visual, pois os educadores não estão preparados para lidar com as especificidades desses alunos. Isso ocorre, porque as graduações de licenciatura não abrangem a esfera de crianças privadas de visão, o que faz com que a atuação dos responsáveis pela sala de aula seja pautada exclusivamente nos infantes típicos, excluindo, portanto, outros grupos sociais das atividades escolares. Por isso, é míster solucionar a mazela.
Em suma, torna-se primordial combater os desafios para a inclusão educacional de deficientes visuais. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, responsável por gerir o ensino no Brasil, adequar as escolas à presença dessas pessoas, por meio da capacitação de professores e da construção de estruturas acessíveis, com o fito de incluir crianças e adolescentes cegos no sistema de instrução formal.