Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 16/08/2024
Promulgada em 1988, a Constituição Federal vigente assegura direitos fundamentais para a democracia e vida digna de seus cidadãos. Porém, a falta de inclusão educacional de pessoas cegas, interfere no sistema harmônico do Estado brasileiro. Dessa forma, é imprescindível enunciar os pilares da adversidade: o fator social e a ineficácia governamental.
Diante desse cenário, é preciso explorar o quesito sociocultural e suas implicações na temática. De acordo com Pierre Bourdieu, “não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico”. Sob tal perspectiva, no Brasil, a passividade na reflexão crítica do brasiliano sobre a exclusão educacional de pessoas com deficiência visual, destoa do progresso bourdieuseano e, com efeito, forma cidadãos sem interesse em resolver a matriz do imbroglio. Consequentemente, essa ausência de autocrítica funciona como base para a intensificação de tal marginalização educacional, fato que viola, novamente, a Constituição Federal. Sendo assim, analisar criticamente as relações sociais de um povo é essencial para dirimir o revés.
Ademais, convém destacar as falhas estatais. A esse respeito, John Rawls, na teoria do Pacto Social, enfatizou o Estado como mantenedor do bem-estar coletivo. Contudo, a falta de escolaridade para uma parcela da população, contrasta com a tese do autor, uma vez que o governo do Brasil parece não se preocupar com o enredo, tendo em vista a falta de políticas públicas em torno do problema apresentado. Com isso, é inadmissível a inoperância das esferas de poder no que tange à mitigação de viés.
Portanto, entende-se que o isolamento de pessoas cegas à escolaridade é um obstáculo intrínseco de raízes culturais e governamentais. Logo, o Ministério das Comunicações, por intermédio da coparticipação de programas midiáticos de alta audiência, deve discutir e elucidar o assunto, com o objetivo de mostrar as principais sequelas do problema e, de forma detalhada, esse órgão vai convidar profissionais para apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse discutido. Assim, a criticidade proposta por Bourdieu e Rawls, a sociedade brasileira terá uma vida digna, como prevê a Constituição Federal.