Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 18/08/2024

O Decreto nº 3298, de 1999, declara que cabe ao poder público e seus órgãos assegurar aos deficientes, entre outros direitos, o pleno acesso à educação. No entanto, a inclusão educacional prometida atinge apenas uma parte dessa população, sendo que os deficientes visuais são um dos grupos mais afetados. Ao analisar, verifica-se que a falta de atenção governamental e de preconceitos são os principais fatores para o quadro atual do país. Ou seja, faz-se necessário superar esses desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil.

Em primeira análise, a inércia do Estado mostra-se um enorme obstáculo para a educação inclusiva. Nesse sentido, pode-se citar que, segundo o Inep, apenas 1/4 das escolas públicas apresentam acessibilidade arquitetônica, sendo um número que vem crescendo infimamente nos últimos anos. Além disso, de acordo com o MEC, um pouco mais de 10% dos estudantes possuem acesso a um material didático em Braille, que é essencial para o aprendizado do aluno cego. Assim, observa-se a falta de comprometimento do governo na educação inclusiva.

Em segunda análise, o preconceito presente nas escolas envolvendo a cegueira é um dificultador para a formação do jovem com essa deficiência. Nesse contexto, a pesquisadora Sylvia Nunes explica que a supervalorização da visão para o ganho de conhecimento é o principal motivo para a ideia de vulnerabilidade da pessoa cega, sendo que esta é capaz de aprender por outros meios. Porém, o ambiente opressor, criado por conta desse preconceito, segundo Sylvia, torna difícil a presença do cego na sala de aula. Dessa maneira, os estereótipos que envolvem a falta de visão precisam ser desmentidos para um ambiente escolar saudável.

Portanto, devido ao que foi exposto, pode-se concluir que os preconceitos e a incompetência do Estado são grandes desafios para o exercício pleno da educação por parte dos deficientes visuais. Então, o governo deve, por meio do Ministério da Educação, investir mais em infraestrutura acessível ao cego, principal pisos-táteis, rampas e sinais sonoros, à fim de melhorar o ambiente escolar para o aluno que é deficiente visual, em campanhas de conscientização e em materiais didáticos. Dessa forma, uma educação inclusiva aos cegos poderá ser criada no Brasil.