Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 19/09/2024
John Locke - filósofo inglês - destaca que é dever do Estado assegurar a educação e o bem-estar social. Todavia, em virtude da batalha pela inclusão educacional de deficientes visuais ser uma realidade no Brasil, é válido reconhecer como o Poder Público age de modo ineficaz e, pior, não cumpre o seu contrato social conforme os ideais de Locke. Sob essa perspectiva, é possível analisar a ausência de infrastrutura e o modelo educacional como os pilares do problema.
De início, percebe-se que a falta estrutura fomenta a permanencia do entrave na sociedade, dado que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 10% da população brasileira possui necessidades especiais. Segundo Thomas Hobbes, contratualista inglês: “a população cede sua confiança ao Estado que, por sua vez, é ineficaz”. Isto pode ser verificado com a ausência dos cursos de formação para profissionais voltados à educação especial, além de unidades escolares não planejadas para o público cego no país. Isso porque, lamentavelmente, o indivíduo não questiona a realidade na qual está inserido, tendendo ao descaso por parte governamental.
Além disso, Pierre Bourdieu - sociólogo frânces do período modernista - destaca que a sociedade incorpora as estruturas sociais, ou seja, as reproduzem com naturalidade. Nesse sentido, nota-se o modelo educacional defasado e incapaz de comportar a demanda que lida com a deficiência visual, sendo negligenciado pela própria população, visto que quando comparado à 100 anos atrás o modelo de ensino continua o mesmo, com a utilização de marcadores e uma lousa a fim de atender a maioria, sem a inclusão da parcela deficiente.
Urge, portanto, a adoção de medidas que combatam o entrave. Partindo desse ponto, o Ministério da Educação deve fornecer uma infrastrutura adequada e uma adaptação do modelo de ensino, por meio de reformas nas unidades escolares e uma reformulação do método de formação educacional. Assim, promovendo obras que incluam estruturas e guias para auxiliarem o estudante, além de livros em brialle e professores capacitados para atuarem nessa modalidade de ensino, para que, por fim haja a inclusão dos cegos no sistema de ensino brasileiro.