Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 07/10/2024

De acordo com Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”. Entretanto, o contexto do Brasil contraria-o, uma vez que são encontrados desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas, o que mostra-se uma questão de injustiça, o que desestrutura a base da sociedade brasileira. Com efeito, para solucionar o impasse, há de se combater a omissão estatal e o silenciamento social.

A priori, é imperioso destacar que a inércia estatal é um fator contribuinte para a problemática. Nesse sentido, John Locke, conhecido como pai do liberalismo, entendia que a população deveria confiar no Estado, que por sua vez, garantiria direito aos indíviduos. No entanto, as autoridades são incapazes de praticar a ideologia de Locke, já que são encontradas inúmeras dificuldades para a inclusão educacional dos deficientes visuais no dia a dia. Nesse sentido, a ausência estatal se justifica pela falta de políticas públicas nas escolas para as pessoas cegas, como atividades didáticas, acompanhamento especializado e gravações de aulas em áudio, para ajudar a compreensão desse aluno, o que demonstra total negligência do governo em prover esse hábito a sociedade brasileira. Desse modo, enquanto a omissão continuar, o bem-estar será a exceção.

Ademais, a invisibilidade social ratifica a preocupante situação mencionada. Nesse viés, os cientistas sociais do podcast “Conexão Ufrj”, afirmam que há alguns apagamentos crônicos das minorias, que são tornadas irrelevantes no cotidiano, em razão do seu gênero, classe e função social. Nesse sentido, as pessoas cegas são afetadas por tal indiferença denunciada, haja vista a carência de debates, o que gera consequências, a exemplo da aversão acentuada nas escolas, casos de capacitismo e de violência moral. Assim, enquanto o silenciamento existir, a exclusão perdurará.

É urgente, portanto, que as escolas articulem os indivíduos a desenvolverem empatia acerca das pessoas surdas no ambiente escolar e contribuem com o debate sobre todos os desafios educacionais que essas pessoas passam, por meio de palestras com especialistas no assunto, a fim de valorizar e inserir as pessoas surdas na sociedade. Com isso, isso garantirá que o conceito defendido por Locke, seja em breve, realidade na sociedade.