Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 21/10/2024

A declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre as diversas camadas sociais de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário em relação aos desafios enfrentados por pessoas com deficiência visual. Esses obstáculos vivenciados por esse grupo social resultam da falta de ações efetivas por parte do Estado, como: projetos governamentais para a inclusão dessa comunidade e o combate ao capacitismo enraizado na sociedade atual.

À luz dessa perspectiva, torna-se evidente a influência do fator social. No poema “O apanhador de desperdícios”, Manoel de Barros versa sobre a relevância de não trivializar as coisas e os seres vivos como desimportantes. Entretanto, ao contrário da explanação poética, no Brasil, as pessoas com deficiência visual continuam à margem da sociedade, sem acesso adequado a ajuda ou reconhecimento, e são frequentemente vistas como incapacitadas pelo restante da população. Esse contexto agrava sua invisibilidade e perpetua sua sensação de impotência diante da realidade atual.

Além disso, é necessário enfatizar a influência do fator político como uma das bases para a permanência desse problema. Sob essa perspectiva, Aristóteles sustentou que a eudaimonia, ou uma vida digna, está subordinada à ética dos governantes em relação à justiça. Nessa lógica, a falta de projetos de inclusão para essa comunidade contraria os princípios aristotélicos, uma vez que o Estado, ao ignorar as evidências do problema — como a dificuldade de inserção de pessoas com deficiência visual no ambiente profissional — contribui para a continuidade da exclusão. Nesse prisma, é indubitavelmente que as falhas estatais perpetuam o viés em questão.

Portanto, existe uma relação entre governabilidade e cultura que impulsiona a questão da inclusão. Assim, o Ministério da Educação — órgão responsável pela inclusão de pessoas com deficiência — deve, em conjunto com o Estado, promover projetos e campanhas públicas voltadas para a inserção igualitária dessas pessoas no mercado de trabalho, além de implementar uma reeducação da população em relação a visão capacitista que ainda persiste sobre esse grupo.