Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil

Enviada em 22/10/2024

A partir do século XXI, houve diversos avanços sociais que viabilizaram uma quali-dade de vida, para os indivíduos desprovidos de visão, próxima da normalidade. Em contrapartida, no Brasil contemporâneo, percebe-se que esse panorama de progresso não estabeleceu plenamente a inclusão educacional dessas pessoas, transtorno que caracteriza uma crise. Desse modo, a fim de transpor seus desa- fios, faz-se pertinente apontá-los: a prevalência de materiais visuais no ambiente docente e o impedimento comunicativo.

Diante desse cenário, evidencia-se um nexo causal entre a problemática em questão e a dominância do teor ótico nos conteúdos usados em sala de aula. A res-peito disso, de acordo com o conceito aristotélico de isonomia, deve-se tratar os desiguais de forma distinta, intuindo reduzir suas divergências. Entretanto, ao so-brepor essa lógica ao espaço de ensino, nota-se que a realidade diverge do ideal é-tico citado, uma vez que não é considerado a discrepância sensorial dos discentes, fato que reflete na ausência de materiais adaptados, como os em braille, e na he-gemonia dos acervos didáticos ilustrativos. Logo, deve-se diversificar os veículos palpáveis de ensino para alcançar a equidade filosófica.

Ademais, explicita-se a barreira interativa como um pilar central da inserção dos cegos no processo de formação intelectual. Em referência a isso, segundo Paulo Freire em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, as pessoas possuem perspectivas singulares para compreender o mundo. Nesse raciocínio, cabe ao professor a mis-são de construir pontes com os alunos, com a finalidade de firmar um diálogo ínte-gro. No entanto, ao examinar o contexto do país, é notório que essa conexão é di-ficultada com os deficientes visuais, dado que os docentes, dotados de visão, são incapazes de entender como esse coletivo concebe a existência sem luz.

Em suma, torna-se indubitável alegar que há desafios para inserir os cegos no sis-tema educador. Dito isso, fica a cargo do Estado, encarregado pela garantia dos di-reitos civis, assegurar bons materiais de aprendizagem a esses alunos, por meio da elaboração inclusiva e da distribuição universal desses objetos, objetivando al-cançar a isonomia. Além disso, cabe às instituições de ensino viabilizar, através de cursos, a capacitação dos tutores para um melhor diálogo com os estudantes cego.