Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 25/09/2025
“Urupês”, livro de Monteiro Lobato, expõe o cotidiano de Jeca Tatu, personagem em uma condição de miséria e alheamento. Isso porque conduz o leitor a um lugar muito específico ao adentrar na realidade de comunidades esquecidas e de baixa instrução. Para além da ficção, a situação expõe um problema grave no Brasil, qual seja, o da falta do hábito de leitura. Diante desse cenário, é imperativo analisar as causas que exacerbam o problema.
A priori, cabe destacar que a construção educacional historicamente programada contribui para a manipulação de parte da população. Isso acontece porque o país sempre privilegiou o letramento das elites como forma de dominação. Para Lilia Schwarcz, historiadora, a permanência de “marcadores sociais de diferenças”, isto é, na delimitação de lacunas sociais estruturais, transformam-se em estratégias de exclusão, tendo como um dos cernes o não fomento ao hábito leitor. Assim, resulta-se em uma população passível de manipulação, em disseminação de fake news e na preservação perversa de um analfabetismo funcional endêmico, sendo este, efetivamente, um objetivo.
Além disso, a permanência de uma mentalidade educacional arcaica reverbera em atraso socioeconômico. Isso ocorre pois a prática da leitura não é incentivada adequadamente na educação tradicional, sobretudo na pública. Para Luiz Bevilacqua, cientista, o modo como se cultiva o hábito de ler não é antenado às particularidades modernas, pois não há transversalidade nem estratégias holísticas. Com isso tem-se, por exemplo, um país com enorme potencialidade, com a 10ª economia do mundo, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), mas alimentando um ciclo de estereótipos e exclusão social.
É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas. Assim, o Ministério da Educação - principal ator desse processo - deveria lançar o programa “Brasil Leitor”. Tal iniciativa ocorreria por meio de estratégias transversais de leitura, nas escolas, aliado a campanhas com escritores nacionais, nas mídias. A fim de se promover conscientização e letramento para a comunidade, visando fazer com que qualquer cenário, como o de “Urupês”, sejam apenas lembretes para a construção de um país mais leitor e, sobretudo, educado.