Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 16/10/2026
De acordo com o filósofo René Descartes, “A leitura de todos os bons livros é como uma conversa com os melhores espíritos dos séculos passados”. Sob a ótica do autor, a literatura é de suma importância para a formação do indivíduo. Apesar disso, ainda persistem muitos desafios para a prática da leitura no Brasil, como a influência midiática das redes sociais e o elitismo associado à atividade.
Diante desse cenário, deve-se observar que a mídia, quando na forma das redes sociais, frequentemente desestimula a leitura. Sob a perspectiva de Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, os algoritmos presentes nas plataformas utilizadas impossibilitam a propagação de narrativas coesas como a de um livro, operando com base em ’trends’ – tendências passageiras renovadas velozmente. Dessa forma, a literatura perde espaço para conteúdos imediatos e vazios, aprofundando o problema e erodindo a capacidade de atenção necessária para a atividade.
Ademais, cabe apontar que os altos preços associados aos livros e a falta de tempo do trabalhador contribuem para a queda nos índices de leitura. Na antiguidade, os gregos criaram o conceito de ócio: o tempo em que, por não precisarem trabalhar, podiam dedicar-se a atividades que requeressem o uso ativo de seus raciocínios críticos, como os debates políticos nas ágoras. No entanto, somente as elites gregas tinham acesso ao ócio, numa estrutura social que recorda a brasileira, excluindo os mais pobres do acesso aos livros em meio a rotinas de trabalho exaustivas e alta dos preços.
Portanto, cabe ao governo federal reforçar políticas públicas como a do ‘MEC Livros’ – plataforma gratuita para democratizar o acesso à leitura, via aplicativo –, por meio da criação de polos de troca e doação de livros, com o intuito de difundir a literatura e quebrar barreiras elitistas.