Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 03/10/2026

Na obra “Cidadão de Papel”, o jornalista Gilberto Dimenstein aborda a ineficiência das garantias legais, demonstrando que os direitos dos indivíduos ficam restritos aos documentos oficiais e não se concretizam na realidade social. Sob essa perspectiva, percebe-se essa lacuna entre a teoria e a prática na ocorrência dos desafios para a prática da leitura no Brasil. Diante disso, faz-se necessário analisar como a negligência governamental e a falta de incentivo escolar impulsionam esse entrave social.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar a desassistência do poder público como fator agravante da diminuição da prática da leitura. Consoante ao pensamento do filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, na medida em que o Estado isenta-se na garantia do incentivo à leitura, há um descumprimento do contrato social elaborado junto à sociedade. Dessa maneira, essa ineficiência do aparato institucional no atendimento às demandas da nação não só contribui para o descaso com a coletividade, mas também transgride o dever assegurado pela ordem social.

Além disso, é notório que a escassez do estímulo a leitura nas escolas impacta a questão. Na linha desse raciocínio, de acordo com Elaine Sekimura, “Incentivar a leitura é a forma mais eficaz de disseminar cultura e valores, incitar a imaginação e despertar a criatividade”. De maneira análoga, é possível perceber que as pessoas estão cada vez mais perdendo o abito de ler, logo, cabe as escolas incentivarem as crianças a lerem desde cedo para que se tornem pessoas com conhecimento cultural, pensamento crítico e criatividade. Contudo, quando essa prática não ocorre esses indivíduos tendem a se tornar pessoas com pensamentos superficiais e alienados.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado- instituição soberana e garantidor de direitos fundamentais- por intermédio do amplo apoio dos poderes estaduais e municipais, promova a realização de palestras e campanhas publicitárias que ressaltem a importância da leitura, a fim de conter a diminuição da sua prática e fomentar a consciência e a criticidade aos indivíduos.