Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 07/10/2020
O escritor Tcheco Franz Kafka declarou: ‘‘o livro deve ser o machado que partirá os mares congelados’’, notadamente, uma referência a importância ao hábito de ler. Nesse sentido, é necessário analisar os desafios para que a prática da leitura, no Brasil, seja uma realidade plena. Desse modo, nota-se como ferramentas que fomentam tal questão não só o sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, ao perceber que mais de 40% da população brasileira não possui a prática de ler, segundo os dados do Instituto pró-livro, verifica-se um corpo social distante da pedagogia de Freire. Nessa lógica, visualiza-se a prevalência de uma rede de ensino tecnicista, a qual prioriza, sobretudo, a inserção do indivíduo no mercado de trabalho e, consequentemente, não estimula a tomada de consciência do cidadão que, nesse contexto, revela-se pelo não hábito regular da leitura. Dessa maneira, observa-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freireanas e, portanto, não consegue formar um país de leitores.
Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado proporcionar um ambiente que incentive o crescimento intelectual de todos. Entretanto, percebe-se uma outra realidade: a falta de política públicas, com o fito de dirimir os impasses para que a prática da leitura- uma forma de alcançar o propósito constitucional- venha a ser uma realidade no Brasil, seja pela falta de incentivo da própria sociedade, seja pela permanência de escolas distantes de tal propósito, como já supracitado. Nessa perspectiva, os fatos exposto ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que a sociedade, apesar de ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.
Logo, pode-se inferir que os desafios associados à leitura é uma questão relevante e cabe soluções. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo realize uma reforma educacional- por meio de debates com o Ministério da Educação-, a fim de aumentar o número de leitores. Posto isto, é imprescindível que tal ação interventiva foque, principalmente, nas ideias de Freire. Ademais, é imperioso que as ONGs (Organizações Não Governamentais), aliadas à mídia, desenvolvam campanhas publicitárias- mediante depoimentos de professores- que expliquem a necessidade de o Estado realizar políticas públicas, com o intuito de efetivar os dispositivos constitucionais. Dessa forma, ter-se-á ‘‘mares descongelados’’, como bem propôs Kafka.