Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/10/2020

“Um povo que lê nunca será um povo escravo”, uma famosa frase de António Lobo Antunes , escritor e psiquiatra português demonstra o quão importante é o hábito da leitura na vida da população. Infelizmente de acordo com dados da pesquisa de Retratos da Leitura do Instituto Pró-livro, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro. Esse fato, pode ser explicado em dois âmbitos: na escola, com a cobrança de livros complexos - sem incentivar antes a maturidade leitora - e também, no preço exorbitante, podendo ser acessível apenas às classes médias e altas.

Em um primeiro momento, é importante destacar a hipervalorização existente dentro das escolas, em relação à livros da literatura brasileira, sem antes haver um incentivo à leitura infato-juvenil. Deve-se ser analisado, que os livros que são passados durante o Ensino Fundamental e Ensino Médio necessitam de uma maturidade leitora para serem entendidos, maturidade esta, que só é adquirida após leituras mais fáceis e prazerosas. Sendo asssim, quando há a cobrança de interpretação de obras complexas, os jovens passam a ver esse ato, não como algo prazerozo, mas como algo cansativo e tedioso.

Em um segundo momento, cabe a análise dos preços dos livros, que são caros para a maioria da sociedade, visto que 64.7% da população brasileira se encontra na clase baixa, de acordo com pesquisas do IBGE. Deve-se entender que os exemplares, em países que valorizam a educação, são feitos com papel mais barato, para que os preços também se tornem acessivos para a população. Em 2020, Paulo Guedes, Ministro da Educação promoveu uma Reforma Tributária e taxação de livros, alegando que “o livro é um produto de elite, logo, quem compra pode pagar um preço maior”, pensamento esse que demonstra claramente que o governo não tem interesse em transformar o livro em um produto acessível e em contribuir para o acesso democrático à leitura no Brasil.

Fica claro, portanto, que a falta de incentivo escolar, juntamente com a taxação de livros dificultam a prática da leitura no Brasil. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação promover uma adequação nas escolas públicas, para que haja o incentivo de livros infanto-juvenis - durante o ensino fundamental I e II  - para que os estudantes adquiram interesse pelo ato de ler e assim, no ensino Médio possam avançar para as leituras mais complexas da literatura Brasileira, que já são cobradas nos dias atuais. Além disso, deve-se promover a disponibilização dos livros na Biblioteca escolar e municipal - de forma gratuita - para que as pessoas de baixa renda possam ter acesso. E desse modo, o povo brasileiro não será mais um exemplo de um povo escravo, como afirma António Lobo.