Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 10/10/2020

Na série canadense, Anne with an E, a personagem principal passou parte de sua vida no orfanato ou em casas provisórias, onde foi vítima de condições precárias e abusivas, porém, encontrou a leitura como um refúgio mental. Fora das telas, a realidade se assemelha à ficção, pois diversas pessoas encontram nos livros uma forma de “escapar” das adversidades que enfrentam na vida. Entretanto, o número de pessoas, no Brasil, que praticam a leitura ainda é baixo, pois, tanto a negligência familiar, quanto o sistema capitalista vigente, contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Antes de mais nada, é necessário afirmar que a negligência familiar contribui para que a prática de leitura no Brasil seja vista como um desafio. De acordo com o filósofo John Locke, a criança é um “quadro branco”, que vai sendo preenchido por experiências e influências. Sob esse raciocínio, é perceptível a falha que a família comete ao “preencher esse quadro”, pois, grande parcela dos jovens, atualmente, não têm interesse nos livros devido ao uso precoce de aparelhos eletrônicos na infância, os quais lhe são oferecidos pelos pais. Desse modo, a falta de incentivo à leitura dá abertura para que os celulares e tablets ocupem o tempo que devia ser gastado na busca por conhecimentos nos livros.

Outrossim, a procura excessiva pelo lucro, por parte das empresas, configura-se como fator que dificulta a resolução da problemática supracitada. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil, no segundo trimestre de 2020, chegou a 13,3%, tornando explícito que uma considerável parcela da população não tem condições de suprir  suas necessidades básicas - como a compra de alimentos e vestimentas. Dessa forma, o acesso aos livros e revistas é mínimo, pois o elevado preço estabelecido pelas empresas do ramo dificulta a compra por essa porção da sociedade, que fica privada do direito de praticar a leitura.

Por conseguinte, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. As escolas,  como colaboradoras no desenvolvimento dos indivíduos, juntamente com o pais dos alunos, devem promover ações que os introduzam ao mundo literário, por meio do incentivo à leitura de histórias em quadrinhos, para que, após esse primeiro passo, os jovens tenham interesse em se aprofundar e passar a ler outros gêneros. Ademais, os governos estaduais devem investir na construção de bibliotecas e praças públicas, onde livros gratuitos sejam oferecidos, a fim de que pessoas de todas as faixa etárias sejam atraídas e, assim, elevando o índice de leitores no Brasil.