Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 13/10/2020
A constituição brasileira de 1988 assegura o direito à educação para todos. Contudo, infelizmente, as dificuldades de estabelecer um público leitor no Brasil ainda são problemas a serem vencidos. Sob tal ótima, tais dificuldades se estabelecem pela falta de estímulo da leitura para crianças e adolescentes na escola, uma vez que muitos são inseridos no contexto da leitura por meio de livros de difícil compreensão, o que frustra muitos dos estudantes e, ao mesmo tempo, a visão de livros como forma de luxo, devido aos seus altos preços.
A priori, vale destacar que, para despertar interesse em crianças e adolescentes é necessário entender a dinâmica de aprendizado para tais estudantes. Em uma reportagem para o Jornal da USP especialistas afirmam que é necessário que as escolas deem autonomia para seus alunos na hora de decidir quais livros serão lidos. Outrossim o professor da Faculdade de Educação da USP, Valdir Heitor Barzotto, acredita também na liberdade individual dos professores. Nesse sentido este profissional deveria encontrar as metodologias adequadas para o grupo com o qual trabalha.
Ademais, a crença de que livros são artigos de luxo agrava o problema. A exemplo, em 2018 o preço médio do livro no Brasil foi 25 reais, segundo dados da Nielsen. Decerto, o valor alto dos livros é nocivo para o estímulo à leitura, e acaba se tornando um ciclo, uma vez que, para a diminuição do preço é necessário uma tiragem maior. Todavia segundo dados da G1, no Brasil, a média de livros produzidos para um lançamento é de 3 mil exemplares, enquanto em países desenvolvidos o número pode chegar até 15 mil. Nesse contexto, uma população que possui o hábito de ler tende a se desenvolver mais, já em países como o Brasil, ao revés, o costume da leitura é cada vez menos valorizado, logo, é possível estabelecer uma relação entre o desenvolvimento do país e a sua quantidade de população leitora.
Portanto, depreende-se que medidas são necessárias para a ampliação do público leitor brasileiro. Por isso, caberá ao Ministério da Educação conceber maior autonomia para as escolas decidirem como implantar a leitura na grade curricular, por meio de reuniões presenciais para discutir quais livros abordam temas específicos e possuem a linguagem adequada para cada faixa etária, em busca de desenvolver interesse nos alunos, sem deixar de lado os clássicos da literatura. Além disso, caberá aos Ministérios da Cultura e da Economia com o apoio de instituições privadas ampliarem a quantidade de exemplares produzidos para a venda, a fim de reduzir preços e estimular toda a população a comprar mais livros. Dessa forma, todos os brasileiros poderão desfrutar de um futuro mais promissor intelectualmente.