Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 28/10/2020
A leitura é um hábito que possibilita benefícios inequívocos para a saúde e para o crescimento pessoal. Para os jovens do Ensino Médio, por exemplo, a oportunidade de ler clássicos, como “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, é uma boa forma de contextualizar um período e compreender a sociedade de uma época; por outro lado, para as crianças, a leitura permite o aprimoramento da ludicidade, da criatividade e da imaginação. Contudo, apesar de todas as suas qualidades, há certos desafios que o livro precisa enfrentar para se concretizar como um hábito entre a população, dois deles são: a questão histórica do analfabetismo e a necessidade de estimular esse costume desde a tenra idade.
Em primeiro lugar, é de fundamental importância entender em que medida o analfabetismo contribuiu para dificultar a popularização da leitura no Brasil. Antes da instauração do Regime Militar, em abril de 1964, o até então presidente João Goulart, em parceria com o pedagogo Paulo Freire, havia anunciado a elaboração de um programa nacional de alfabetização de adultos. No entanto, o projeto nunca se concretizou. Em todo caso, tal episódio é útil como relato de uma dificuldade que o livro sempre enfrentou no Brasil: a persistência das altas taxas de analfabetismo ao longo das décadas do século XX. Por isso, pode-se dizer que, embora esse quadro tenha se revertido na atualidade, o baixo interesse pela leitura entre os brasileiros, em verdade, reflete uma condição histórica de uma população que não foi ensinada a ter prazer em ler.
Ademais, deve-se incentivar o hábito da leitura desde a infância. É importantíssimo que os pais leiam com seus filhos enquanto estes são pequenos, pois, dessa maneira, eles desenvolverão organicamente esse costume ao longo da formação das crianças. Nessa linha, os projetos “Leia para uma criança”, do Banco Itaú, e “Conta para mim”, do Ministério da Educação (MEC), são excelentes exemplos de iniciativas que devem ser seguidas, haja vista que, ao mesmo tempo que aproximam as crianças das obras escritas, tais projetos criam laços mais íntimos entre pais e filhos. Portanto, com um maior número de iniciativas como estas, de certo, aumentar-se-á a quantidade de futuros leitores.
Logo, para haver mais livros e leitores na sociedade, torna-se imprescindível, antes, tomar medidas concretas que possam modificar o status quo. Sendo assim, caberá ao Poder Público, em especial, ao Governo Federal, o dever de expandir, por meio dos recursos da União, o projeto “Conta para mim” já existente, de modo a dar continuidade a campanha publicitária, disponibilizar livros de forma gratuita para as famílias de baixa renda etc. Com isso, com certeza a leitura se tornará algo mais frequente entre os brasileiros.