Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 08/10/2020
Émile Durkheim, sociólogo francês, afirmava que em uma solidariedade orgânica, para haver harmonia, cada parte do corpo social teria de cumprir sua função, a fim de que não ocorresse uma patologia social. Entretanto, percebe-se que essa tese não tem sido cumprida em vários aspectos, inclusive em relação à pratica de leitura no Brasil. Essa realidade persiste não só por conta da negligência do Estado, mas também pela deficiente atuação das escolas e das famílias.
Inicialmente, ressalta-se que a negligência estatal corrobora significativamente com o baixo índice de leitores no país. Isso é constatado, por exemplo, pelo baixo investimento em bibliotecas nas escolas e comunidades, haja vista que, segundo dados divulgados pelo site “Retratos da Leitura no Brasil”, somente 36% das escolas no país têm infraestrutura e biblioteca adequadas. Nesse sentido, a ausência de locais apropriados para a formação de leitores é comprometida, o que reflete diretamente no aumento de analfabetos funcionais e de cidadãos facilmente manipuláveis, que podem agir erroneamente na propagação de notícias falsas.
Outro fator importante a ser frisado é a deficiente participação das escolas e famílias na formação leitora dos cidadãos. Conforme o filósofo inglês John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquire por meio das experiências. De modo análogo, as pessoas são influenciadas pelo meio em que vivem, fortalecendo o senso crítico mediante os exemplos dos pais, professores e amigos. Nessa perspectiva, se desde a fase infantil até a adulta tanto no âmbito escolar quanto no familiar os cidadãos não forem incentivados a gostar de ler, talvez , tenderão a perpetuar o mau hábito de muitos brasileiros, os quais deixam de aprender ensinamentos únicos que são úteis para toda a vida em detrimento da preguiça, da ignorância, da falta de curiosidade etc.
Evidencia-se,portanto, que é fundamental incentivar a pratica da leitura no Brasil. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação(MEC), por meio de parceria com empresas privadas, aumentar os recursos financeiros para a área da educação e para a qualificação dos professores, com o objetivo de melhorar a infraestrutura das escolas, ampliar o número de bibliotecas pelo país e de professores capacitados para auxiliar desde o ensino básico os alunos a ler com frequência. Ademais, é imprescindível que MEC, juntamente com o Ministério da Cidadania e a mídia, valorize mais a prática da leitura dentro dos lares brasileiros, promovendo debates, palestras e a valorização do papel dos pais na formação leitora do cidadão, com a finalidade de formar indivíduos mais críticos e menos propensos a serem manipulados.