Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 08/10/2020
Na Antiguidade Oriental, os Fenícios, com o intuito de controlar e registar as atividades comerciais, criaram um tipo de escrita alfabética simplificada que revolucionou as relações econômicas e a cultura da civilização. Registra-se, portanto, a importância histórica do letramento para a facilitação das ações e interações dos indivíduos que se apropriam da escrita nos diversos contextos sociais. Hodiernamente, isso não se difere. Não obstante, a má distribuição de bibliotecas públicas associada a uma cultura de desvalorização, por parte dos brasileiros, faz com que a literacia não seja perpetuada no Brasil, o que demanda ação pontual.
A princípio, é válido destacar que a distribuição desigual de bibliotecas pelos estados brasileiros é um obstáculo que alimenta o desábito da leitura. Conforme dados recentes do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas – SNBP –, há cerca de 6.057 instituições, sendo que 32% delas se concentra na região Sudeste, e, menos de 8% no Norte do Brasil. Nesse sentido, é dever do Estado atuar na descentralização das bibliotecas públicas, a fim de garantir a equidade do acesso e a formação de cidadãos leitores.
Outrossim, é fundamental pontuar que a desvalorização da leitura, por parte dos brasileiros, provém de um panorama educacional ineficiente. No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso à educação, acaba sendo explorado e humilhado por aqueles que detém o conhecimento. Nesse viés, sendo a apropriação da leitura uma forma de avanço individual, em relação ao exercício pleno da cidadania e a obtenção de melhores oportunidades no mercado de trabalho, hoje são milhares de fabianos no Brasil. Afinal, dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2019 mostram que menos de 50% das escolas brasileiras possuem dinâmica de leitura na matriz de ensino, o que resulta numa educação deficitária e numa geração de cidadãos que não consideram o poder transformador da leitura – não leitores –.
Dessarte, o Governo Ferderal, aliado às esferas estadual e municipal, deve criar mecanismos culturais e educacionais em prol do letramento. Nesse âmbito, proporcionar eventos abertos à sociedade: rodas de conversa, amostras culturais e pequenas peças teatrais envolvendo alunos de todos os níveis escolares, a fim de tornar harmônico e atrativo o apoderamento da leitura. Isso, através do incremento da proficiência em leitura como requisito obrigatório na matriz educacional de ensino, em todas as escolas do Brasil, com profissionais capacitados e embasados no objetivo principal: formar cidadãos leitores. Com isso, efetivar-se-ia o hábito da leitura, tornando-o substancial aos brasileiros, como era aos Fenícios.