Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 08/10/2020

De acordo com o escritor Monteiro Lobato, uma nação se faz com homens e livros. Nessa ótica, percebe-se a grande importância da leitura na formação moral e intelectual de um indivíduo e sua total ligação na dinamização de conteúdos, na interpretação e na aprendizagem. Em contrapartida, alguns impasses impedem a prática da leitura entre alguns cidadãos, sendo o advento da internet e a forma massiva como a literatura é trabalhada nas escolas, os principais fatores.

Em primeiro plano, na obra:" A menina que roubava livros" é retratada a história de uma jovem que apesar de viver no caos da segunda guerra mundial, aprende a ler e faz dos livros os seus maiores aliados. Nesse ínterim, fora da ficção, a realidade de muitos jovens é diferente, afinal, com o surgimento de novas tecnologias, como celulares, computadores e ipad’s, essa parcela da população tornou-se dependente desses meios digitais e acabam fazendo deles os únicos recursos de divertimento e distração. Diante disso, é perceptível a grande desvalorização da leitura no país, pois até mesmo as crianças nos primeiros anos de vida, em vez de receberem dos pais clássicos infantis para lerem, como os livros de Monteiro Lobato e Ruth Rocha, acabam recebendo tablets, contribuindo na geração de crianças sem censo imaginativo e raciocínio rápido. Logo, se os meios digitais continuarem ocupando o espaço das obras literárias, o desenvolvimento educacional do Brasil será comprometido.

Em segundo plano, de acordo com o jornal Edição do Brasil, 40% da população não pratica o hábito da leitura. Nesse sentido, é visível que o ato de ler é cada vez mais raro na sociedade, o que é preocupante, pois é por meio da leitura que o povo aguça o censo crítico, desenvolve projetos e participa ativamente do corpo social. Todavia, um dos principais motivos que fazem com que a população não adentre o universo literário é a forma como a literatura é trabalhada nos colégios, afinal, muitos professores obrigam os alunos a lerem obras clássicas extensas não condizentes com a sua faixa etária e em algumas vezes como forma de punição por alguma ato errado feito em sala de aula. Dessa maneira, a leitura que deveria ser um momento de prazer, divertimento e desenvolvimento da imaginação, acaba se tornando algo cansativo e pouco atraente.

Destarte, cabe às escolas adotarem o modelo de ensino politizador a fim de que , desde a mais tenra idade, as crianças sejam educadas por meio de teatros, aulas descontraídas e rodas de leitura, para que, assim, eles entendam a importância do ato de ler e sua relação com a otimização do aprendizado e do raciocínio. Somado a isso, os professores devem preparar aulas mais dinâmicas e atraentes, lendo clássicos infantis condizentes com as séries escolares, tentando despertar nesses discentes o amor pela literatura. Ações como essas formarão futuros adultos críticos e conscientes.