Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 09/10/2020

A Constituição Brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o amplo acesso aos bens culturais do país. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que o contato com os livros - por meio da leitura - não se encontra efetivado na sociedade nacional. Esse cenário fatídico ocorre não só em razão do deficitário incentivo à leitura nas escolas, mas também devido à excessiva mercantilização das obras literárias. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade igualitária seja alcançada.

Em primeira análise, é fundamental compreender a ausência de incentivo à leitura vivenciada no país. Durante o Renascimento Cultural - movimento artístico e intelectual da Idade Moderna - a cultura era valorizada e usada como uma maneira de transmitir conhecimentos. Hodiernamente, entretanto, a situação é pouco observada no contexto nacional, uma vez que o hábito de ler encontra-se pouco ampliado. Esse panorama ignóbil acontece porque a maioria das escolas, interessa-se, geralmente, apenas pela transmissão de conteúdos técnicos, negligenciado os estímulos para as habilidades de leitura. Evidencia-se, portanto, que o deficitário incentivo torna-se um entrave aos direitos sociais.

Faz-se mister, ainda, salientar a mercantilização excessiva dos livros como impulsionadora e agravante da problemática. De acordo com o sociólogo alemão Karl Marx, o consumo tornou-se um ato de adoração, atribuído a um valor simbólico e transcendente ao que o produtor determina, em que afasta o objetivo principal de utilidade das mercadorias, em prol da comercialização e obtenção de lucro. Nesse viés, a capitalização exacerbada segrega inúmeros grupos sociais, nos quais grande parte dessa população é desprovida de amplos recursos financeiros para comprar tais obras literárias. Diante do exposto, constata-se que esse estorvo fere os princípios constitucionais e impede o amplo acesso a prática de leitura.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca da prática de leitura no país é imprescindível à construção de uma sociedade mais democrática. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, por intermédio de cursos especializados, instrua os educadores em suas aulas a importância da valorização do hábito de leitura para a ampliação do conhecimento, a fim de estimular o pensamento crítico e o desenvolvimento socioeducativo. Ademais, cabe também ao Ministério da Economia, regular, por meio de fiscalizações, o preço das obras literárias, com o intuito de denunciar os preços abusivos e democratizar a comercialização para grupos mais periféricos. A partir dessas ações, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.