Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/10/2020
O escritor Tcheco Franz Kafka elucidou que: ‘‘o livro deve ser o machado que quebrará os mares congelados’’, notadamente, uma referência a importância ao hábito de ler constantemente. Nesse sentido, é de suma necessidade analisar a prática da leitura no Brasil. Desse modo, percebe-se como desafios que impedem tal realidade ser plena não só o sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, ao observar que mais de 40% da população brasileira não possuem a prática da leitura, segundo os dados do Instituto Pró-Livro, verifica-se um corpo social distante das ideias de Freire. Nessa lógica, tal realidade explica-se pela prevalência de uma rede de ensino tecnicista, a qual prioriza a inserção do indivíduo no mercado de trabalho e, consequentemente, não estimula, nesse contexto, a prática da leitura. Dessa maneira, visualiza-se o sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freireanas e, portanto, não forma um país de leitores.
Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado garantir um ambiente que proporcione o crescimento intelectual de todos. Entretanto, nota-se uma outra realidade: a falta de políticas públicas eficientes, com o fito de dirimir os impasses para que o hábito da leitura- forma de alcançar a garantia constitucional supracitada- venha a ser uma realidade. Nessa perspectiva, a contradição exposta ecoa o “Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que a sociedade, apesar de ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a Carta Magna e a narrativa factual precisa ser solucionada.
Logo, pode-se inferir que os desafios associados ao hábito da leitura são questões relevantes e cabe soluções. Posto isto, é fundamental que o Poder Executivo realize uma reforma educacional- por meio de debates com o Ministério da Educação-, a fim de que haja a formação de um maior número de leitores. Para tanto, é imprescindível que tal ação foque, principalmente, nas ideias de Freire. Ademais, é imperioso que as ONGs (Organizações Não Governamentais), aliadas à mídia, desenvolvam campanhas publicitárias- mediante depoimentos de professores- que expliquem a importância do Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivar as garantias constitucionais. Dessa forma, obter-se-á ‘‘mares descongelados’’, como bem propôs Kafka.