Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 09/10/2020

Segundo Mario Quintana, os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não leem. Nesse sentido, o precário hábito de leitura na sociedade brasileira confirma a frase do poeta, uma vez que o poder transformador dessa prática é subestimado pela população, a qual sofre suas consequências. Dessa forma, faz-se importante analisar os benefícios e os desafios da construção de uma nação leitora.

A princípio, “uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”, como disse Malala Yousafzai. Dessa maneira, a prática da leitura carrega um significado revolucionário, a qual não se limita aos benefícios acadêmicos – como melhor interpretação de texto, escrita etc. –, já que tem, como afirmou a ativista, o poder de mudar o mundo. Além dessas virtudes, outra singularidade é adquirida com o hábito da leitura: é criada uma população preocupada em raciocinar. Isto é, interessada na participação política, em vez da passividade, no debate, em vez da violência, no relacionamento com outros cidadãos, em vez da alienação. Logo, o hábito da leitura é definitivamente subestimado e permanece em desuso, pela maior parte da população, a qual pela própria falta dele não percebe seus benefícios. Deve-se, portanto, quebrar esse ciclo vicioso.

Além disso, segundo Hans Jonas, a geração atual é responsável por prezar pelo bem estar das próximas gerações. Nesse sentido, a atitude a ser priorizada como principal motor para o sucesso da nova geração é o incentivo à leitura. Contudo, cerca de 44% da população brasileira não tem esse hábito – de acordo com dados da pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro –, o qual tem como desafios tradições atreladas ao comportamento da população e do Estado, tais como falta de incentivo à leitura por parte da escola e da família, altas taxas cobradas à cadeia produtiva de livros, que elitiza e desestimula sua compra nas livrarias etc. Logo, é importante superar essas dificuldades.

Portanto, é dever das escolas incentivar a prática da leitura, por meio da adoção de livros paradidáticos interessantes aos alunos, de uma rotina para confirmar que as leituras estão sendo cumpridas, de projetos de leituras conjuntas com a família – como clubes de livros, recitais, produções de texto etc. –, a fim de estabelecer o hábito de ler livros na população. Ademais, é importante que o Ministério da Economia facilite o acesso aos livros, por meio de ações políticas para baratear os custos de todos os corpos da cadeia produtiva – como fábricas de papel, editoras, livrarias – e, assim, diminuir os preços do produto final, com o objetivo de estimular sua compra e democratizar a leitura. Com isso, será possível superar os desafios dessa problemática e verdadeiramente “alfabetizar” a nação, sob o sentido sugerido pelo poeta Mario Quintana.