Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 10/10/2020

É notório perceber que países com maiores índices de leitura são os mais desenvolvidos, visto que esse hábito influencia diretamente no crescimento desses. No Brasil hodierno, o cidadão lê 2,4 livros por ano, dado considerado extremamente baixo frente aos países mais ricos do mundo. Ainda, a leitura, além de promover a estabilidade mental, amplia o conhecimento analítico e expande o vocabulário, hábito que, quando negligenciado, prejudica principalmente os jovens em formação. Sob essa óptica, faz-se imperioso apontar não apenas a gestão educacional como responsável pelo péssimo índice de leitura no País, mas também a proposital alienação estatal.

Visto isso, é importante salientar como a leitura transformou-se em um ato trivial perante à velocidade do cotidiano capitalista, sendo o hábito considerado perca de tempo para a maioria. Instituições de ensino visam utilizar livros da literatura brasileira como meio de incentivo ao costume, no entanto esses são vistos apenas como um meio de garantir uma boa nota em exames avaliativos pelos alunos, e não como um verdadeiro lazer. Ademais, pesquisas do UOL apontam que menos da metade dos professores leem em horas vagas, o que pode potencializar o descaso em relação ao hábito nas salas de aula. Muitos jovens terminam o ensino médio sem concluir um livro inteiro, refletindo, analogamente, em como o País não investe o suficiente em áreas de pesquisa e ciência.

Com base nisso, durante o regime nazista na Alemanha no século XX, milhares de livros foram queimados e proibidos para a população civil, visto que esses poderiam eram considerados “armas de doutrinação”. De acordo com estudos antropológicos, a sociedade possui padrões que são impostos por terceiros, naturalizados e repetidos por várias gerações, o que explica o fato do tímido exercício de leitura dos brasileiros. O governo, tanto fascista quanto democrático, almeja que o cidadão não procure e não se informe sobre a realidade que esse vive, tornando-o facilmente manipulado pela mídia e por outros poderes. O indivíduo fica à mercê de achismos e teorias ditadas pouco embasadas, alienado diante ao regime estatal. “O verdadeiro analfabeto é aquele que lê, mas não lê”, frase de Mário Quintana que pode ser aplicada à situação de alienação naturalizada dos brasileiros contemporâneos.

Assim, cabe ao Ministério da Educação, atrelado às secretarias municipais, promover um maior destaque de verbas para instituições de ensino e suas bibliotecas coletivas, por meio de emendas constitucionais, destinando o capital para escolas e universidades, em especial, para públicas, a fim de motivar a ida dos estudantes para esses locais e buscar por diversos livros. Ademais, a mídia televisiva deve divulgar informações sobre as vantagens psicológicas, educativas e trabalhistas diante do hábito da leitura, com o fito de conscientizar os brasileiros. Assim, o Brasil subirá no ranking de leitura atual.