Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 03/11/2020
No livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, o defunto-autor revela não ter gerado filhos para não transmiti-los o legado da miséria humana. Ao se observar o Brasil, nota-se a presença de algumas dessas heranças, sendo elas a concepção da leitura como chata e os livros com preços elevados, os quais constituem-se como desafios para a prática da leitura no Brasil.
Em primeiro lugar, é válido elucidar a existência de leituras obrigatórias ao longo do período escolar. Nesse sentido, a escolha de livros de difícil compreensão faz nascer nos alunos o pensamento que ler é chato. Assim, a frase de Aristóteles a qual afirma todos os homens terem naturalmente o desejo de conhecer ilustra a força que uma experiência traumática tem, visto que consegue dificultar uma característica essencial e natural do ser humano, que é obter conhecimento através da leitura.
Outrossim, os preços elevados dos livros também dificulta a prática da leitura no Brasil. Nesse contexto, pessoas sem condições financeiras de gastar com seu sustento e com livros encontram-se marginalizadas quanto ao desfrute do hábito de ler. Posto isso, a educação viabilizada pela leitura é impedida para a população de baixa renda, sendo isso o percebido na frase do sociólogo Florestan Fernandes a qual diz a educação ser um privilégio de poucos.
Portanto, apesar da leitura ser fulcral para a sociedade, fatores sociais e econômico atrapalham a execução dessa ação de forma plena. Logo, cabe aos professores darem aulas sobre os livros de leitura obrigatória de forma dinâmica, por meio de peças teatrais e leituras em grupo, a fim de criar nos alunos um hábito de leitura natural e permanente. Ademais, urge às escolas e ONGs locais a disponibilização de livros para as comunidades pobres, mediante a criação de um cadastro que associa o livro à pessoa que pegou emprestado, com o intuito de permitir que os livros alcancem o máximo de indivíduos possíveis e que mais pessoas tenham acesso a essa prática.