Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/10/2020
No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, o aumento dos índices de analfabetismo, por exemplo, configura uma realidade à margem da democracia. Nesse viés, os desafios para a prática de leitura, no Brasil, representam ainda enormes dificuldades. Pode-se dizer, então, que a irrazoável interferência estatal e a forte mentalidade individualista do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.
Primeiramente, deve-se ressaltar a inoperância governamental para combater o preço abusivo dos livros. Nos termos da Constituição Federal, o Estado é encarregado de garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à atuação inescrupulosa das autoridades, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, em 2016, somente os indivíduos com alto poder aquisitivo podiam ler regularmente, pois tinham plenas possibilidades de adquirir a maior variedade dos produtos literários. Dessa forma, geram-se condições favoráreis à perpetuação das mazelas educacionais, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito à cultura, são ameaçados.
Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um dos princípios fundamentais da Filosofia Patrístico-Escolástica, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Em levantamento realizado pela Revista Exame, verificou-se que aproximadamente 22% das atividades econômicas financiadas com recursos privados não beneficiavam os funcionários com auxílios destinados à leitura ou escrita, tendo em vista a contenção de gastos operacionais. Logo, desrespeita-se, em nome de interesses individuais, importantes preceitos filosóficos, culturalmente consagrados, que equilibram as relações humanas. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de intenções egoístas.
Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal atuar em favor da população, mediante a gênese de dispositivos legais que regulem os preços dos livros e artigos do gênero, a fim de assegurar a todos o acesso à leitura e o direito à boa formação cidadã. Ademais, o corpo social deve pressionar os empreendedores a incentivarem a prática de leitura, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização em praças e locais públicos, com a distribuição de cartilhas informativas e material complementar, no intuito de viabilizar a difusão do conhecimento e aprendizado. Assim, obter-se-ão os requisitos mínimos à restauração da soberania civil.