Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/10/2020
Ao fim do conto “Felicidade Clandestina” Clarice Lispector expressa a mistura dos sentimentos de satisfação e ansiedade de uma jovem leitora que, após muitas dificuldades, finalmente tinha em suas mãos seu livro mais cobiçado. Na vida real, entretanto, o que se observa, atualmente, são jovens e adultos cada vez mais distanciados da prática de leitura. Isso se deve, entre outros desafios, à falta de incentivo no ambiente escolar ao aumento exacerbado nos preços das obras.
Primeiramente, destaca-se que o sistema de educação básica vigente não incentiva os alunos ao hábito da leitura por prazer, uma vez que, na maioria das instituições, a leitura de obras literárias se dá apenas para fins avaliativos. Assim, desde a infância os indivíduos admitem a prática como uma obrigação o que torna os torna, no futuro, adultos desmotivados. Isso se evidencia, por exemplo, por meio de uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-livro, a qual afirma que 44% da população brasileira não lê. Dessa forma, é necessário que medidas sejam tomadas a fim se mudar essa realidade.
Da mesma maneira, nota-se que, segundo o IBGE 54,8 milhões de pessoas se encontram abaixo da linha da pobreza no Brasil. Nesse sentido, o aumento nos preços das obras literárias representa um enorme desafio para que grande parte da população tenha acesso à leitura, pois outras prioridades como alimentação, moradia, água e energia são essenciais para a sobrevivência e colocadas em primeiro plano. Com isso, muitos cidadãos se veem privados dessa prática e o hábito de ler passa a ser visto por muitos como um ato inacessível e elitizado.
Desse modo, é necessário que o governo, por meio de projeto de lei, estabeleça parâmetros para que o hábito de ler seja acessível a todos. Para isso, em parceria com grandes livrarias, deve ser criado um programa que forneça aos jovens de baixa renda um crédito mensal de 80 reais que deve ser destinado exclusivamente para a compra de livros. O cadastro deve ser feito nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de cada bairro. Com isso, espera-se que grandes parte dos cidadãos brasileiros passem a experimentar a “felicidade clandestina” proveniente de uma boa leitura.