Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/10/2020
A famosa frase ‘‘Cogito ergo sum’’ do filósofo René Descartes expressa o poder do conhecimento na vida do ser humano, visto que, mediante esse aforismo, o racionalista do século XIII demonstra que o ser, ao pensar, existe. No Brasil, entretanto, a leitura -uma das principais fontes de conhecimento e pensamento racional- não é amplamente praticada, pois a falta de acesso a materiais literários e a prejudicial leitura instantânea configuram desafios que precisam ser elucidados para que, de certa for-ma, essa prática esteja presente no cotidiano do brasileiro.
Em primeira análise, Anthony Giddens, sociólogo contemporâneo, por intermédio do livro Mundo em Descontrole, relata que o indivíduo é diretamente influenciado pela sua condição financeira. Seguin-do essa linha de raciocínio, é possível relacionar o deficiente ato de leitura com os preços de livros e revistas no país, tendo em vista que de acordo com o portal Literatortura, o valor desses obtiveram um aumento de 42% nos últimos 10 anos. Dessa forma, é válido destacar que a desigualdade social fomenta a não democratização da leitura no Brasil, visto que para camadas menos favorecidas econo-micamente, o acesso a tais materiais torna-se esporádico.
Ademais, se por um lado a internet tornou a proliferação de informações e notícias um processo instantâneo, por outro, os internautas, devido a divulgação desses fatos em forma de mensagens curtas e de fácil fixação, abstiveram-se de leituras ávidas e de diferentes tipologias textuais. Sob es-sa óptica, o psicólogo brasileiro Waldik Júnior afirma que essa compulsão por textos rápidos implica em uma significante deficiência interpretativa do cidadão, de modo que afeta a construção de uma so-ciedade crítica. Nesse sentido, torna-se claro que a predominância da leitura instantânea na rotina do brasileiro é um fator que urge solução para que o hábito de ler não seja estrito ao mundo virtual e que o cidadão possa, de fato, formar sua opinião acerca dos fatos que lhe são apresentados.
Portanto, para que a ideia de Giddens não seja prejudicial à leitura do indivíduo e que amenize o im-passe apresentado por Waldik, é necessária ação do governo. Sendo assim, o Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Economia, deve, por meio de isenções fiscais e diminuição tributária na distribuição e comércio de livros, revistas e afins, estimular a compra e, consequentemente, a prática de leitura no Brasil. Além disso, o Ministério Público precisa averiguar conteúdos instantâneos na internet, com o fito de, se necessário, orientar, com o uso de cookies, os internautas sobre os perigos já relatados sobre esse hábito existente no dia-a-dia do brasileiro. Dessa maneira, certamente, os cidadãos entrarão na condição de existência Descartiana e, sobretudo, irão pensar e consolidar sua própria posição perante a sociedade.