Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 09/10/2020

O filme “A Menina Que Roubava Livros”, se passa na Alemanha durante Segunda Guerra Mundial e conta a história de Liesel, uma garota que desenvolve o hábito da leitura e constrói o senso crítico em um momento que o Nazismo cria empecilhos a essa prática por meio da condenação da busca pelo conhecimento a fim de inibir críticas ao status quo. Apesar do contexto sociopolítico do Brasil não ser um regime fascista, esse filme se assemelha, em parte, ao contexto brasileiro atual, pois o governo ao acentuar as desigualdades sociais por meio de projetos que dificultam ainda mais o acesso das camadas mais pobres à cultura, demonstra descompromisso com a democratização da leitura e que por conseguinte gera uma sociedade, em sua grande maioria, desinformada e sem repertório sociocultural.

Primeiramente, é importante salientar que segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em 2018, média salarial de 60% da população foi inferior ao salário mínimo do mesmo ano. Sob esse cenário econômico aliado, a taxação tributária de 12% sobre os livros vai dificultar o acesso a essa fonte cultural romperá com o direito assegurado pelo Artigo 250, que garante que o Estado vai incentivar a difusão de hábitos culturais, e pelo Artigo 150, responsável isentar os livros de carga tributária. Esse contexto socioeconômico, de descaso com a população brasileiro pobre rompe com os direitos assegurados pela Constituição Cidadão, tendo em vista que essa parte da sociedade não tem educação de qualidade, é desrespeitada e marginalizada.

Por consequência, a população brasileira se desenvolve de forma limitada e sem independência para analisar o mundo ao seu redor. Segundo o filósofo Wittgenstein, o limite da linguagem é também o limite do mundo. Sob a óptica de Wittgenstein, o brasileiro. Com a linguagem limitada a capacidade de se estabelecer como cidadão também será comprometida, pois como afirmou Aristóteles o homem é cidadão quando ele é um ser político que conta com o domínio da comunicação. Portanto, conclui-se que a falta de leitura compromete todas as esferas da vida do brasileiro.

Para amenizar essa problemática é mister que o Governo tome medidas. Para isso o Ministério da Economia juntamente ao MEC deve criar um biblioteca digital por meio de recursos financeiros com a finalidade de garantir o acesso a literatura aos mais pobres.  O acesso a essa plataforma deverá ser feito por meio de um cadastro que informará um endereço de usuário e senha mediante a declaração de até um salário mínimo . Somente assim, a população brasileira deixara de ter o seu mundo limitado pela linguagem.