Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 09/10/2020

Na série norte-americana “Anne with E”, é apresentada a história de uma menina que usa os livros como escape social da sua realidade conturbada. Nesse sentido, a pequena Anne mergulha nos livros a fim de esquecer os dilemas-violência, abandono e fome- que enfrenta no orfanato em que vive. Fora da ficção, é fato que os livros servem como grande suporte para uma vida de conhecimento e equilíbrio, no entanto, no Brasil por exemplo eles são marginalizados pelo poder público e sociedade.

Em primeira análise, segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir a paz e a ordem. Contudo, na medida em que se observa dados como os últimos da fundação Pró-Livro, os quais revelam que é de apenas 2,5 por ano a média de livros lidos pelos brasileiros, compreende-se a grave transgressão ao contrato social  de Hobbes. Haja vista que a leitura é de grande importância para o desenvolvimento do intelecto,  e a sua prática contribui para a formação de uma sociedade respaldada nos princípios da razão.

Assim, ausentes da leitura e interpretação de informações, observa-se a ascensão de uma “sociedade rebanho”, isto é, de acordo com o livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, um grupo que embora seja alfabetizado não seja capaz de diferenciar fatos verídicos de simples falácias. Além disso, esse cenário favorece a promoção do ódio contra grupos minoritários e a ascensão de regimes totalitários. Tal qual ocorreu na Alemanha nazista da metade do século XX, onde Judeus eram perseguidos pelo regime por serem culpados pela miséria que assolava o país na época.

Portanto, com o intuito de promover a leitura no país para o desenvolvimento de uma sociedade organizada e respaldada nos princípios da razão, é imperiosa ação do Estado. Diante disso, cabe ao Congresso Nacional, mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, implementar um “Vale-Leitura”- auxílio monetário, para que assim as pessoas tenham pleno acesso aos livros no país.