Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 10/10/2020
O livro “Farenheit 451” do escritor Ray Bradbury retrata uma sociedade onde os livros são proibidos e os indivíduos são incentivados a buscar entretenimento em programas televisivos e não contestar as ações do governo. Diante disso, é notório que o enredo da obra distópica não configura-se anacrônico, uma vez que a prática da leitura é uma atividade constantemente desencorajada e dificultada no Brasil. Destarte, é possível apontar tanto o exacerbado aumento de impostos sobre o comércio literário quanto a falta de incentivo da escola à leitura na infância como fatores que alicerçam esse impasse.
Em primeira análise, segundo a pensadora Hannah Arendt em seu livro “As Origens do Totalitarismo”, uma das principais ações de governos que rumam ao totalitarismo é privar os seus cidadãos de informação e cultura, dessa forma construindo uma sociedade acrítica e facilmente manipulável. Nesse viés, é indubitável que a crescente taxação do gênero literário no Brasil é uma prática nociva ao corpo social, já que exclui grande parte da parcela mais pobre da população da enriquecedora atividade da leitura e os expõe ao nefasto poder da alienação.
Além disso, segundo o filósofo Michel Foucault em “A Microfísica dos Poderes”, as instituições sociais tem papel fundamental na formação dos hábitos e costumes dos indivíduos. Desse modo, a escola emerge como ator principal na função de introduzir a leitura na vida das crianças. Contudo, é sabido que a teoria não se concretiza na prática, uma vez que os próprios professores não lêem constantemente. Diante disso, sendo o Brasil um país com elevadas taxas tributárias, é inadmissível que uma necessidade básica do desenvolvimento intelectual não seja ofertada de maneira plena nas escolas.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas para mitigar esse empecilho. Cabe, então, ao Ministério da Educação, a elaboração de programas de capacitação de profissionais da educação por meio de cursos e palestras que apresentem, de maneira lúdica, técnicas e estratégias de leitura. Ao Ministério da Economia, por sua vez, cabe a criação de ações de incentivo fiscal às editoras que garantam a maior produção e consequente queda nos preços. Espera-se, com isso, alcançar uma sociedade mais crítica e ciente de sua realidade.