Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 10/10/2020
Quando o alemão Johannes Gutemberg criou a prensa móvel que levou seu nome, foi possível imprimir textos em páginas de forma sequencial, proporcionando a difusão de livros a muitas pessoas. Desde então, embora os meios tecnológicos tenham se aprimorado, ainda existem desafios para a prática da leitura no Brasil. Com base nisso, apontam-se obstáculos centrados na falta de incentivo e de acessibilidade para ler e ter contato com novas obras, os quais implicam diretamente a incapacidade de interpretar a sociedade criticamente e a inaptidão para desenvolver um pensamento autônomo.
A princípio, é necessário discutir que grande parte da inexistência do hábito de ler deve-se à falta de incentivo dada desde a infância. Nesse sentido, de acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, 3 em cada 10 professores se declaram não leitores. Tal dado é problemático, uma vez que é na escola o lugar onde a maioria das crianças têm seu primeiro contato com livros e esses profissionais são peça fundamental para despertar o gosto pela leitura nos jovens. Consequentemente, tal cenário forma indivíduos com problemas de interpretação de textos e com a capacidade crítica reduzida, visto que a leitura é agente basilar para desenvolver tais habilidades. Infere-se, pois, que é preciso investir no incentivo dado aos livros ainda na escola para que a prática seja estabelecida o quanto antes.
Somado a isso, a falta de acesso a obras da literatura pelas populações vulneráveis é um problema considerável ao hábito em questão. Sob essa perspectiva, não existem programas do governo de distribuição de exemplares e a compra de livros por pessoas que já enfrentam problemas financeiros não é uma opção. Como resultado, há uma elitização da leitura e a formação de cidadãos limitados intelectualmente. Nesse contexto, o filósofo Kant apontou que os indivíduos precisam sair da menoridade e a única forma de conseguir isso é através da leitura. Depreende-se, então, que o Estado deve investir no acesso aos livros para a formação de uma população com pensamento autônomo e ancorada na maioridade kantiana.
Fica claro, portanto, que existem desafios para o hábito da leitura e como é importante superá-los. Por conta disso, o Ministério da Educação deve criar um projeto de fomento à prática nas escolas. Isso será feito por meio de um horário na grade curricular destinado à leitura em conjunto de uma obra escolhida pelos alunos e posterior roda de discussão mediada por professores de literatura, a fim de incutir nos estudantes o gosto pela leitura e estimular a capacidade de interpretar criticamente o que foi lido. Ademais, o mesmo Ministério deve oferecer acesso aos livros mediante construção de bibliotecas públicas em comunidades, com vistas a fazer com que a população vulnerável leia mais. Assim, o legado de Gutemberg não se limitará à impressão de exemplares, mas na difusão deles a todos.