Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 10/10/2020

Historicamente, os livros sempre foram um meio de chegada ao conhecimento e desenvolvimento intelectual das elites, visto que poucos tinham acesso a essa poderosa ferramenta de ensino. Contudo, a internet dinamizou e possibilitou o acesso, por um preço justo, aos livros digitais. No entanto, o Brasil caminha na contramão da leitura e da educação, retirando subsídios que tornavam esses mais baratos. Diante disso, torna-se clara a necessidade da busca por soluções que visem corrigir essa problemática, visto que o Estado se exime do seu dever constitucional.

A priori, com a reforma tributária proposta pelo governo, a criação de novos impostos encarecerá os livros de forma progressiva desde sua produção, podendo ter um reajuste de mais de 20% comparado aos preços atuais. Segundo uma reportagem do portal de notícias G1, somente no ano de 2018 e 2019 foram mais de sete mil livrarias fechadas em todo país, devido à crise econômica, não havendo boas perspectivas de mercado com a pandemia do Coronavírus e com a criação de novos tributos para o segmento. Tais fatos, colaboram para o cenário de retrocesso educacional brasileiro, no qual a população se vê desestimulada a prática da leitura.

Outrossim, as metodologias de ensino que são aplicadas no Brasil são ultrapassadas, visto que os alunos não encaram o hábito de leitura como algo prazeroso, mas sim necessário para prestar uma prova ou vestibular. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica revelam que menos de 1,7% dos alunos concluintes do ensino médio atingiram níveis satisfatórios em avaliações de língua portuguesa, sendo um reflexo da falta do estímulo a prática da leitura. Com isso, fica evidente que é preciso o incentivo gradual dessa prática tão importante para a formação intelectual do discente.

Portanto, fica clara a necessidade de ações que visem corrigir essa dicotomia social. Para isso, o Poder Legislativo deve barrar a proposta do Governo que encarecerá os livros físicos e digitais no Brasil, podendo buscar outros meios que subsidiem esses impostos para esse setor, como a taxação de grandes fortunas e de altos valores transferidos para fora do país por empresas Multinacionais. Somado a isso, o Ministério da Educação deve buscar a parceria com outros países como a Coreia do Sul - referencia mundial em educação -  com o objetivo de trazer para os brasileiros um sistema de ensino eficaz que estimule desde os anos iniciais a prática da leitura e consequentemente revertendo os piores índices de educação atingidos pelo país. Somente assim será possível reverter essa situação tão preocupante, pois já dizia o educador Paulo Feire: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.