Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 10/10/2020
Em fahrenheit 451 é narrado a história de uma sociedade distópica, em que os livros e o ato de ler foram totalmente banidos do sistema e, os bombeiros, que outrora serviam para apagar incêndios, agora possuem a função de queimar livros e punir aqueles que se rebelam contra essa ordem. Fora da ficção, tal realidade pode ser uma metáfora para a questão da leitura no Brasil, visto que há uma forte negação desse ato por parte de muitos indivíduos. Nesse contexto, deve-se analisar como o modelo de ensino atual e a família atuam na negligência desse quadro.
Em primeira análise, é importante destacar como o atual modelo de ensino aplicado nas escolas do país dificulta, muitas vezes, a perspectiva da leitura no estudante. Isso acontece porque, esse modelo, que trabalha com métodos mais decorativos e menos críticos, subjugada a leitura a um papel inferior e secundário, utilizando-a principalmente para fins acadêmicos. No entanto, para Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, ou seja, é necessário buscar a percepção crítica e entender que o ato de ler é imprescindível para analisar o mundo e a sociedade. Por conseguinte, assegurar o acesso ao livro nas escolas de forma correta é criar o hábito de leitura e formar indivíduos pensantes.
Além disso, observa-se que o papel da família é um elemento crucial no desenvolvimento do habito da leitura. Isso porque o ato de ler deve ser estimulado desde a primeira infância, com os pais ou responsáveis, por meio do processo de socialização primário, em que, para a sociologia, a família torna-se a instituição social mais fundamental nessas primeiras etapas da vida. Dessa forma, integrar o indivíduo ainda criança à leitura, é estimular a criatividade, criticidade, empatia, além de garantir uma boa alfabetização. Portanto, medidas são necessárias para atenuar os desafios impostos por essa problemática.
Em razão disso, o Ministério da Educação – órgão responsável pelas diretrizes educacionais – em parceria com as escolas e demais segmentos educacionais, deve destinar verbas para a criação de bibliotecas públicas nas cidades e nas escolas, com o estímulo a projetos de leitura, clubes do livro e peças teatrais baseadas nas histórias, que incluam pais, responsáveis e alunos, a fim de promover uma maior inclusão da leitura na vida desses indivíduos. Só assim, a história narrada em Fahrenheit 451 deixará de ser uma metáfora condizente com a realidade brasileira.