Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Na Constituição Brasileira de 1988 é assegurado que todos os cidadãos possuem o direito à cultura, que se torna dever do Estado. Entretanto, percebe-se que esse direito é afetado em relação a prática da leitura no Brasil. Isso ocorre devido à negligência governamental, que não promove medidas públicas efetivas para o incentivo da leitura, e o custo inacessível dos livros. Assim, torna-se imprescindível a discussão dessa problemática, que se torna um desafio para o poder público.

Em primeiro lugar, é notório que a inoperância governamental contribui para a dificuldade do estimulo à leitura na sociedade brasileira. De acordo com o filósofo contratualista John Locke, essa configuração é uma violação no ‘‘contrato social’’, já que o Estado não cumpre com seu dever de garantir o acesso à cultura para toda a população. Dessa forma, essa insuficiência de ações governamentais, como a falta de investimentos na área da cultura, principalmente no que tange a leitura, resulta na manutenção de uma população que não possui o hábito de ler, e evidencia a necessidade de intervenção estatal nesse setor social.

Outrossim, é válido ressaltar o alto custo dos livros como um dos fatores do impasse para a prática da leitura. Segundo pesquisas do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), é previsto que os livros passem a custar 20% a mais em virtude da alta tributação desse produto. Visto isso, é notório que esse encarecimento dos livros aumenta a desigualdade cultural no Brasil, pois, só a parte mais rica da população consegue custear livros, e , por conseguinte, classes baixas são marginalizadas do acesso à meios culturais. Logo, é importante superar esses obstáculos, a fim de impedir a manutenção dos imbróglios do incentivo à leitura.

Portanto, fica claro a substancialidade de ir de encontro aos impasses políticos e socioeconômicos que contribuem com a perpetuação da dificuldade da prática da leitura na sociedade. Para isso, o Ministério da Educação, por intermédio de subsídios arrecadados de impostos, destinados à compra de livros de fácil entendimento, deve promover a distribuição gratuita desses livros para pessoas de classes baixas que não possuem condições econômicas de custear livros, com o objetivo de incentivar à leitura na população e diminuir a desigualdade cultural no Brasil. Somente assim, o que é previsto na Constituição Brasileira de 1988 será cumprido.