Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 20/10/2020
No drama alemão A Menina que Roubava Livros, de 2005, uma jovem sem acesso à educação começa a roubar obras literárias e, ajudada por seu pai adotivo, aprende a ler. O enredo aborda o poder transformador da leitura à medida que a protagonista começa a usar em seu cotidiano as lições aprendidas por meio dos livros. Semelhantemente à realidade mostrada pela ficção, a negligência estatal na garantia da educação e da cultura enquanto direitos dos brasileiros é um desafio para a prática da leitura no Brasil. Assim, ações são necessárias para que a problemática em questão seja resolvida.
Em primeira instância, o descaso governamental na garantia dos direitos da população é um empecilho para a prática da leitura no Brasil. Segundo o contratualista John Locke, para haver a manutenção da igualdade na sociedade, todos os direitos dos cidadãos devem ser garantidos pelo Estado. Apesar disso, a insuficiência de projetos estatais para a promoção do acesso aos livros em escolas públicas aponta para a negligência estatal na promoção da educação enquanto direito dos brasileiros. Assim, a prática da leitura é dificultada e os cidadãos são expostos à exclusão social, contrariando o proposto por Locke.
Ademais, o descaso estatal na promoção da cultura é um empecilho para a prática da leitura no Brasil. A produção estadunidense Escritores da Liberdade, de 2007, mostra a promoção da inclusão social em uma realidade de pobreza e violência em que alunos não tinham acesso aos livros. Semelhantemente ao enredo abordado pelo filme, a desigualdade econômica e social no Brasil faz com que somente uma parcela da população tenha acesso aos livros enquanto registros culturais do país. Desse modo, a negligência governamental na garantia da cultura enquanto direito previsto pela Constituição Cidadã é um desafio para a prática da leitura no Brasil.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução do impasse. A fim de promover a inclusão social no Brasil, cabe ao Governo Federal ampliar o acesso aos livros em regiões carentes do país, por meio da liberação de verbas ao Ministério da Educação. Tal órgão, por sua vez, será responsável pelo desenvolvimento de projetos para a distribuição de obras literárias em escolas públicas, além da criação de oficinas de leitura abertas à comunidade escolar. Com tais ações, espera-se a garantia dos direitos da população, tal como proposto por John Locke.