Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 12/10/2020

No final do século XVIII, a França vivenciou diversas mudanças em sua estrutura social, posto que o Iluminismo, linha de pensamento que valorizava o ensino, enfrentou o Antigo Regime, a fim de eliminar a autoridade absoluta da época. Sob essa ótica, é nítido que o conhecimento, obtido nas fontes educacionais, como os livros, é fundamental para promover a autonomia do cidadão, tendo em vista o pensamento crítico adquirido na leitura. Contudo, percebe-se que, no atual panorama brasileiro, a prática da leitura é abandonada, em razão da desvalorização governamental pela didática e do desinteresse civil em buscar o conhecimento válido.

Primeiramente, é fato que desprezo do órgão estatal pelo ensino é um grave entrave para efetivar o hábito da leitura no corpo social brasileiro. Vinculado a essa concepção, o sociólogo Edgar Morin ressalta a crise da educação como um planejamento do Estado em detrimento da população. Diante do exposto, nota-se a negligência da prática da leitura pelo poder púbico como um mecanismo de alienação, de modo que a limitação social do conhecimento, enquanto veículo de libertação, resulta em uma comunidade que é facilmente manipulada pelos interesses estatais. Então, o grupo populacional carente da leitura aceita imposições outorgadas sem realizar questionamentos e indagações.

Ademais, é certo que, no contexto vigente, com o advento das redes sociais, os indivíduos substituem o hábito da leitura pelas informações inverídicas no âmbito virtual, de maneira a provocar a falta de curiosidade pela ciência. Acerca disso, Immanuel Kant defende a concepção do criticismo, isto é, a percepção crítica e analítica dos conteúdos disponíveis na contemporaneidade. Nessa perspectiva, o discernimento, mediante ao costume da leitura, é impraticável em uma coletividade que não procura a comprovação científica e a fundamentação aprofundada dos assuntos, gerando, assim, a desinformação e subordinação intelectual. Destarte, observa-se que ações são crucias para engendrar o interesse coletivo pela razão presente nos livros.

Faz-se imprescindível, portanto, medidas que atenuem os desafios relacionados à prática da leitura no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Economia promover a valorização dos livros na esfera social, por meio de uma facilitação do acesso as obras literárias, que será efetivada a partir da diminuição dos impostos cobrados, com o intuito de propiciar o reconhecimento da educação no país. Além disso, compete ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, fomentar, ainda mais, o hábito da leitura, por intermédio de programas de doações e compartilhamentos de exemplares, com a finalidade de desenvolver o interesse dos indivíduos pelo primordial conhecimento contido nos livros.