Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/10/2020
Na obra “Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, o personagem Visconde de Sabugosa é um amante da leitura e, por isso, na maioria das vezes, consegue interpretar os desafios que ele e seus colegas enfrentam. Ao sair da ficção, percebe-se que a realidade vista na obra pré-modernista não condiz com a situação atual brasileira, visto que muitos brasileiros, principalmente as crianças, não possuem a prática de leitura em seu cotidiano. A partir desse contexto, é fundamental entender os impasses para a consolidação do hábito de leitura como efetivação do letramento no Brasil.
É importante destacar, de início, que a falta de incentivo da família faz com que muitos estudantes percam o interesse pela leitura. Isso porque, apesar de as escolas ofertarem livros didáticos e atividades de leitura, os estudantes, especialmente as crianças, não encontram apoio e incentivo dos seus familiares, que utilizam a falta de tempo como principal argumento de justificativa. Logo, assim como afirma o educador Paulo Freire, segundo o qual “a educação e a leitura são instrumentos de garantia da autonomia do sujeito”, nota-se que esses indivíduos, ao não serem estimulados, são incapazes de transformar o próprio conhecimento em letramento para interpretar a realidade e se tornarem cidadãos críticos e reflexivos. Essa situação pode ser associada ao filme “Matilda”, o qual mostra como a família pode influenciar negativamente ao não incentivar o processo de aprendizagem dos estudantes.
Convém pontuar, ainda, que a falta de investimento do governo brasileiro impede a efetivação da prática de leitura dos estudantes. Essa conjuntura pode ser justificada pelo fato de muitas escolas da rede pública não possuírem acesso a livros e bibliotecas que dialoguem com sua realidade, o que compromete diretamente a cristalização do hábito de leitura como agente transformador da sociedade. Prova disso é que, mesmo o Brasil sendo a 9ª maior economia do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional, mais de 50% das escolas públicas não possuem bibliotecas ou salas de leitura, de acordo com o Anuário Brasileiro de Educação Básica de 2019.
Infere-se, portanto, que a prática de leitura deve ser efetivada como forma de garantia do letramento no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deverá criar o projeto “Leitura em família”, que acontecerá uma vez por semana, com alunos do ensino fundamental, e contará com a presença de familiares e professores. Tal ação ocorrerá por meio da criação de espaços de socialização nas escolas públicas, a fim de estimular o interesse pela leitura e, com isso, contribuir para uma sociedade melhor. Afinal, é chegada a hora de que mais pessoas se tornem “Viscondes de Sabugosa”.