Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 13/10/2020
No que concerne o hábito de ler do brasileiro, há diversos óbices decretados tanto pelo estilo de vida quanto pela falta de estímulo cultural. Nessa perspectiva, o primeiro resulta da imersão exagerada dos eletrônicos que retém atenção do indivíduo com inúmeras propostas atrativas. E, nessa linha, ainda, há o desconhecimento da leitura como uma rotina recreativa deflagrada pela ausência de modelos sociais próximos que utilizem desse recurso diariamente. Por isso, o incentivo Estatal com acervos atrativos, bem como resenhas interessantes de grandes clássicos podem suprir ou dirimir essa carência literária nacional.
Seguramente a Revolução Digital trouxe benefícios incomensuráveis, melhorou a qualidade de vida, conectou pessoas, desenvolveu regiões. No entanto, trouxe o afastamento da leitura conceitual, ou seja, distanciou o leitor da obra tradicional e impôs sem esforço a leitura de manchetes eletrônicas que muitas vezes nada acrescentam e, apenas, retém a atenção do usuário sem provocar a construção do pensamento crítico, como ocorre na apreciação de uma obra. Essa comtemplação pode ser entendida ao ler criações de Machado de Assis, Raul Pompéia, George Orwel e até mesmo grandes autores contemporâneos como Richards Dawkins que de forma épica marcam as fases da vida do leitor de maneira que tornam a história escrita inesquecível como acontece com “Ateneu”, o qual todo jovem leitor horroriza-se com os acontecimentos no colégio interno.
Além disso, a dedicação à literatura é uma cultura de estímulo, ou seja, é instigada a partir do exemplo. Dessa forma, pais que leem tendem a despertar esse hábito no filho, assim também acontece com professores, avós e demais cuidadores. Por isso, os adultos são responsáveis não só pela transmissão da rotina de leitura na família como também pela melhoria do conhecimento social, pois, ao educar as gerações descendentes para a leitura, eleva o poder de interpretação, assim como a capacidade cognitiva de uma nação . No entanto, essa faixa etária é a que menos cultiva o hábito, segundo pesquisa do Instituto Pró-Leitura, pois, alega falta de tempo e pouco incentivo social.
Sendo assim, é fundamental o estímulo à leitura por parte do Estado. Valendo-se da vigente Política Nacional do Livro o órgão governamental competente deve assegurar a lei, incentivar a prática por meio de publicidade nos mais diversos meios de comunicação, acima de tudo em plataformas digitais nos perfis dos três poderes, como exemplo do Senado e da Câmara do Deputados, para captar possíveis adeptos. Além de que destinar parte dos recursos educacionais para construir um acervo gratuito e atrativo com títulos instigantes é imprescindível para seguir o plano fundamental de crescimento consciencial do país por intermédio da leitura.