Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 12/10/2020

De acordo com o poeta brasileiro Mario Quintana, os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem. Tal pensamento justifica a estagnação no número de leitores no Brasil, como também o crescente compartilhamento de fake news. Sob tal perspectiva, sobressaem-se dois principais agravantes: a abordagem da leitura no ambiente escolar de maneira deficiente e a falta do hábito de leitura no lar.

Em primeira análise, é de grande importância o papel da escola no desenvolvimento do repertório sociocultural do estudante. Dessa forma, a prática de leitura deve ser incentivada de forma que desperte o prazer pelos livros. No entanto, uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro revelou que o brasileiro lê menos de 5 livros por ano, enquanto nos EUA, a média é de 10 livros anuais. Isso se deve ao fato do estabelecimento de ensino determinar leituras obrigatórias, as quais nem sempre interessam o aluno, bem como a informatização do ensino, que valoriza as mídias digitais, como games e vídeos, em detrimento da leitura.

Em segunda análise, a família é o principal exemplo das crianças, e é nessa fase que ocorre o desenvolvimento do hábito de ler. Todavia, uma pesquisa feita pelos Retratos da Leitura no Brasil anunciou que 30% da população brasileira nunca comprou um livro. Logo, ao passar a imagem de que livros não são importantes, as crianças não têm interesse neles. Outro dado alarmante, consequência da falta desse costume, é a dificuldade de interpretar textos, e ainda a ausência de senso crítico. Tais problemas têm aumentado a circulação de notícias falsas e levado as pessoas ao negacionismo científico, por exemplo. Portanto, o desábito de ler fragiliza a sociedade e coloca a democracia em risco.

Então, para superar os desafios da prática da leitura no Brasil, é necessário que o Governo, mediante o Ministério da Educação e Cultura, invista na capacitação de professores por meio de oficinas ou minicursos, para renovar a didática escolar e fornecer mais liberdade ao aluno na hora de escolher um livro. Além disso, as Secretarias de Educação Municipais devem realizar atividades, como a distribuição de livros em postos de saúde, para incentivar a leitura por pessoas mais velhas. Assim, o Brasil poderá aumentar sua média de leitores e, consequentemente, o desenvolvimento da nação.